terça-feira, 21 de maio de 2019

O Subsolo - Volume 4



Ano: 2019
Tipo: Coletânea
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. MEDJAY - Death in the House of Horus (MG)
2. 100 DOGMAS - Resistência (SC)
3. SYN TZ - Held by the Cold (SC)
4. DARK NEW FARM - L.O.V.E (SC)
5. LACUNA - Verdade Nua e Crua (SP)
6. MUQUETA NA OREIA - Samba de Maria (SP)
7. BRUTALSICK - Brutal Tension of War (PR)
8. GRIM RECKONING - La Danse Macabre (RJ)
9. OCTODEMON - The Call (SP)
10. TIMBALL - Aqui Não (SC)
11. AGP - Electric on the Farm (RJ)
12. KHORIUM - Idiocracia Tropical (RJ)
13. DIRTY SWEDE - Eudaemonia (SP)
14. 80 ROCK - Ego (MG)
15. DISTRITO ZERO - Facínoras (feat. Siquieri) (SP)
16. OVERMIST - Land of the Dead (SP)
17. DEATH CHAOS - Gushing Blood (PR)
18. REST IN CHAOS - Ego Riser (SC)


Contatos:

Instagram:
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

As coletâneas caíram bastante no desuso após o final dos anos 80, uma vez que o investimento em “releases” completos se tornou cada vez mais viável. A evolução do “know-how” dentro do cenário ajudou muito o surgimento de produtores, estúdios, produtores de vídeo e toda a estrutura necessária para se fazer vídeos e discos de maneira mais acessível aos músicos.

Mas mesmo assim, o “appeal” das coletâneas ainda existem, e é um prazer falar de “O Subsolo - Volume 4”, uma disco bem legal para qualquer fã.


Análise geral:

É uma coletânea que, embora com um número bem grande de bandas seguindo vertentes mais modernas, possui um espectro musical amplo. Existem grupos de Metal tradicional, Stoner Metal/Rock, Death Metal, Glam Metal, enfim, uma boa representatividade de estilos.

Cada grupo mostra em uma canção a que vem, apresenta aos ouvintes seus estilos, e como vai ser difícil alguém que ouça não encontrar algo que goste, é uma ótima ferramenta para a divulgação.

Além disso, o aspecto técnico individual mude de banda para banda, uma vez que algumas realmente necessitam de refinamento em termos de arranjos, e outras teriam problemas se o fizesse.


Qualidade sonora:

Se há um conjunto de bandas tão não homogêneo juntas em um mesmo disco, é óbvio que a qualidade sonora de canção a canção também difere. Umas bandas precisam dar uma melhorada nesse aspecto, outras fazem um trabalho de primeira, e na média, não o que reclamar, pois todas soam compreensíveis aos ouvidos.


Destaques musicais:

MEDJAY - Death in the House of Horus: os mineiros fazem bonito com um Heavy/Power Metal à lá ICED EARTH em algumas partes. Ótimo trabalho de guitarras em uma canção sinuosa em termos de melodias, mas os vocais podem melhorar no futuro. https://www.youtube.com/watch?v=DpykLSIM6BY

100 DOGMAS - Resistência: Esse quarteto de SC promete muito. É uma banda interessante em termos de Groove Metal, com boa dose de agressividade, andamentos pesados, e que mostra certo toque de Hardcore em alguns momentos. É muito legal, mas precisa acertar a qualidade sonora da próxima vez. https://www.youtube.com/watch?v=6T-la1fhDR8

SYN TZ - Held by the Cold: mais chegados em um Thrash moderno cheio de energia e com toques de Groove em alguns pontos, esse quarteto de SC mostra um trabalho realmente bem forte e agressivo. E que belo refrão! https://youtu.be/idgum6MlCxU

DARK NEW FARM - L.O.V.E.: mais um grupo de SC, é outro com uma pegada New Metal/Groove Metal bem agressiva e não muito afeita a limites de estilos. A música é ótima, com peso e melodia na medida certa, agressividade bem gordurosa fluindo da música, mas uma gravação mais justa os ajudaria a brilhar ainda mais. https://www.youtube.com/watch?v=3u22W8jPURI

LACUNA - Verdade Nua e Crua: Mais um que segue as tendências mais modernas em termos de Metal, o quarteto de Guarulhos (SP) desce a pancadaria em uma música bem estruturada, com boas doses de melodia e agressividade. Muito, muito bom, e merece crescer bastante. https://www.youtube.com/watch?v=ADKH-63_8EA

MUQUETA NA OREIA - Samba de Maria: Mezzo Thrash Metal/Crossover, mezzo moderno, o quarteto vem com uma faixa poderosa e com ótimo trabalho rítmico (devido aos “inserts” música regional do Brasil) . É um dos pontos altos da coletânea. https://www.youtube.com/watch?v=ilXll7eO2WU

BRUTALSICK - Brutal Tension of War: o quinteto de Pinhais (PR) é outro que prefere as vertentes mais agressivas do Metal moderno, com uma dose de peso absurdamente opressivo em termos de andamento. Ótimo trabalho técnico, verdade seja dita. https://www.youtube.com/watch?v=DiRlEzhMT2Y

GRIM RECKONING - La Danse Macabre: vindo do RJ, é o grupo que destoa um pouco das anteriores, apostando em um Death Metal mais tradicional e com leves nuances de Thrash. E é uma música inédita, que só pode ser encontrada nessa coletânea.

OCTODEMON - The Call: mais um que foge aos grupos anteriores, já que esse grupo de SP prefere mandar ver em um Stoner Rock/Metal pesado e com referências ao som pesado dos anos 70 sem soar datado. Boa dose de peso, melodias sedutoras e vocais muito bons. https://www.youtube.com/watch?v=Nt_d8MaAM7Q

TIMBALL - Aqui Não: e a inclinação para estilos mais modernos volta com esse grupo de SC. Agressividade desmedida e excesso de Groove, mas ótimo trabalho das guitarras. https://www.youtube.com/watch?v=lZi0HwOUp34

AGP - Electric on the Farm: uma banda que foca mais em um trabalho instrumental que destila um Countrycore melodioso e com sua pegada irônica. Os integrantes preferem o anonimato, mas esses cariocas realmente mostram que tem talento. https://www.youtube.com/watch?v=e6_uSEjxNFY

KHORIUM - Idiocracia Tropical: outro que mostra a fusão do jeito moderno de se fazer Thrash Metal com Groove e certas doses de Hip Hop/Rapcore.  Sim, o trio do RJ já vem mostrando um trabalho bem legal, e é outra canção inédita, que se encontra apenas na coletânea.

DIRTY SWEDE - Eudaemonia: Esse quarteto de SP faz uma mistura interessante de Hard/Glam Metal com aspectos do Rock ‘n’ Roll descompromissado dos anos 60 e 70. Com uma ambientação divertida e crua, onde vocais e guitarras estão muito bem, é outro grande momento do disco. https://www.youtube.com/watch?v=TRIbQ-8rGfc

80 ROCK - Ego: este quarteto de MG vai trazer à mente do ouvinte aquele Heavy Metal visceral e cheio de melodias de Hard Rock da primeira metade dos anos 80. A gravação soa crua além do necessário, mas nos permite ver o potencial do grupo, que usa teclados e guitarras muito bem, sem complicar demais. https://www.youtube.com/watch?v=gEZ3pPwab7I

DISTRITO ZERO - Facínoras (feat. Siquieri): Basicamente, essa banda de SP faz uma mistura de Groove Metal com referências aos anos 90 com muito de Rapcore. O quinteto ainda mostra necessidade de amadurecer mais, mas tem um trabalho ótimo em termos de técnica (especialmente baixo e bateria). https://www.youtube.com/watch?v=IvYnxDfgt5w

OVERMIST - Land of the Dead: Fazendo aquela mistura Thrash/Heavy Metal bem trabalhada e com referência clara à TESTAMENT e METALLICA, o quarteto de SP deixa o ouvinte de queixo caído, com vocais e guitarras em excelente forma, embora o grupo mostre bastante homogeneidade em suas mudanças de ritmo. https://www.youtube.com/watch?v=pywx5XPgdqE

DEATH CHAOS - Gushing Blood: o quinteto de Curitiba (PR) já mostra no nome a que vem: Death Metal agressivo e com ampla influência da escola dos anos 90. Mas mesmo assim, se percebe que o grupo tem apego à técnica (bastando perceber isso nos riffs), algumas doses ótimas de Thrash Metal em algumas passagens mais grudentas, e melodias soturnas permeiam os solos. https://www.youtube.com/watch?v=IQnuAYxsC5Y

REST IN CHAOS - Ego Riser: o quarteto de SC mostra sua inclinação para o Thrash/Death Metal moderno em uma canção cheia de boas melodias e mudanças rítmicas muito interessantes. A técnica é conseqüência da música, logo, é um esmaga-colunas sem dó do ouvinte! https://www.youtube.com/watch?v=qPJNqMGMKnw


Conclusão:

No geral, todas as bandas apresentam um trabalho muito bom para seus fãs, e tende a alcançar outros.

No mais, “O Subsolo - Volume IV”,  é bem vinda, além de ser uma boa pedida.


Nota: 8,1/10,0

quinta-feira, 16 de maio de 2019

POSSESSED - Revelations of Oblivion


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Chant of Oblivion
2. No More Room in Hell
3. Dominion
4. Damned
5. Demon
6. Abandoned
7. Shadowcult
8. Omen
9. Ritual
10. The Word
11. Graven
12. Temple of Samael


Banda:

Jeff Becerra - Vocais
Daniel Gonzalez - Guitarras
Claudeous Creamer - Guitarras
Robert Cardenas - Baixo
Emilio Marquez - Bateria


Ficha Técnica:


Jeff Becerra - Produtor
Daniel Gonzalez - Co-Produtor
Peter Tägtgren - Mixagem, masterização
Zbigniew Bielak - Arte da capa


Contatos:

Site Oficial: www.possessedofficial.com
Facebook: www.facebook.com/possessedofficial
Instagram: https://www.instagram.com/possessed_official
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Quem criou o Death Metal, afinal de contas?

Eis a pergunta que nunca terá uma resposta satisfatória. As teses são múltiplas, e a documentação escassa. Mas há um consenso que DEATH e MASTER (quando ainda era chamado DEATH STRIKE) são pioneiros, mas a verdade é que o quarteto POSSESSED, de San Francisco (Califórnia), foi o primeiro a lançar um disco que se tornou uma das fundações do gênero, o clássico “Seven Churches” (1985). Mas mesmo com isso, a banda se dizia “uma banda de Thrash Metal influenciada por EXODUS e bandas de Hardcore” (conforme uma antiga Rock Brigade de 1987), o que ficaria bem evidente em “Beyond the Gates” (1986) e em “The Eyes of Horror” (EP de 1987).

Deixando de lado qualquer polêmica sobre isso, a grande pergunta desse review é: a que o POSSESSED vem com “Revelations of Oblivion”, seu primeiro álbum depois de 31 anos de seu último disco oficial?

Todos podem conferir, pois a Shinigami Records em conjunto com a Nuclear Blast Brasil lançaram esta pedrada por aqui.


Análise geral:

POSSESSED

É preciso passar uma borracha no que o grupo fez em “Beyond the Gates” e “The Eyes of Horror”, pois apesar de alguns toques Thrash Metal aqui e ali (que lhes eram tão naturais que chegaram a ser comparados aos SLAYER entre 1985 e 1986), “Revelations of Oblivion” pode ser dito uma continuação do Death Metal clássico do grupo.

Basicamente, pode-se dizer que Jeff Becerra (vocalista e único membro da formação clássica do grupo) conseguiu pegar a essência musical do POSSESSED daqueles tempos e trazer para a atualidade, mas sem que soe datado.

Sim, é o mais puro Old School Death Metal, o mesmo que fez com que nomes como MORBID ANGEL, CANNIBAL CORPSE, BOLT THROWER e outros começassem a despedaçar ouvidos.


Arranjos/composições:

O estilo do grupo (hoje um quinteto) não tem erros, pois fazer Old School Death Metal não chega a ser difícil. Mas a criatividade em termos de arranjos mostrada aqui é prova de que os outros membros da banda têm espaço para destilarem suas idéias.

Sim, é o som do POSSESSED, mas adornado com as influências novas, que dão um frescor de novidade a “Revelations of Oblivion”. Aliás, é bom que se diga que o aspecto técnico ficou ótimo, mas sem criar algo que destoe do passado.


Qualidade sonora:

A escolha por Peter Tägtgren para cuidar da mixagem e masterização se mostrou acertada, criando uma aura nova e fresca para as canções, criando uma sonoridade que é brutal e agressiva, mas que permite que tudo soe claro e audível sem esforços extra.

O mais interessante são os timbres: embora soem modernos e claros, existem alguns (como os dos tons da bateria durante as viradas) soam próximos aos de “Seven Churches” em alguns momentos.


Arte gráfica/capa:

A arte de Zbigniew Bielak ficou muito bem trabalhada, dando a idéia de que o conteúdo musical é um pandemônio (o que não é irreal). Muito bonita, verdade seja dita.

POSSESSED ao vivo


Destaques musicais:

É bom que se evite buscar algo dos discos anteriores da banda em “Revelations of Oblivion”. O disco é um murro nos ouvidos, o mais puro Old School Death Metal possível feito com uma estética moderna e fresca. Mas as músicas são ótimas, todas elas.

No More Room in Hell: uma faixa veloz e brutal de abertura, como o grupo costumava fazer, sendo que a diferença fica por conta dos bumbos velocíssimos e toques mais técnicos. E a voz não perdeu nada, parece que retornamos a 1986.

Dominion: outra em que a velocidade impera (talvez seja a única coisa mais atualizada em termos de elementos musicais do grupo). Uma aula de solidez e boas conduções rítmicas extremas.

Damned: apesar dos bumbos duplos velozes, muito dos riffs trazem um carrego Thrash Metal semelhante ao que se ouve em “Beyond the Gates”: técnica, partes insanas e envolventes.

Shadowcult: de novo partes muito bem trampadas surgem nas guitarras, mas logo a base rítmica impõe mudanças de tempo absurdas. Ótima, inclusive com momentos mais cadenciados de primeira.

Omen: teclados tenebrosos adornam os riffs iniciais, mas logo o foco se torna o trabalho as guitarras. Esta canção mostra a clara influência do MOTÖRHEAD por conta de um toque sutial (mas perceptível) re Rock ‘n’ Roll sujo nos riffs.

The Word: alguns elementos de Death Metal pós anos 90 surgem nas guitarras (especialmente nos solos bem feitos, evitando aqueles em que a guitarra aparenta estar sendo estrangulada), que que bases chapantes e vocais insanos!

Graven: uma pancadaria mais simples e direta, uma golfada Death Metal cheia de energia, novamente com ótimas partes cantadas.

A bem da verdade, o que pode incomodar os fãs mais antigos é justamente porque o POSSESSED vem para mostrar vida, mostrando que souberam evoluir sem perder a essência dos anos 80.


Conclusão:

É fato que o nome do agora quinteto tem um peso enorme, e é fato que eles fizeram de “Revelations of Oblivion” um disco excelente, e doa a quem doer, o POSSESSED está vivo e disposto a retomar seu devido lugar.


Nota: 93,0/100,0


No More Room in Hell



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MAGNETRON - Rotting


Ano: 2016
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Mutilation Eternal                   
2. Rotting              
3. Nightmare         
4. Decay


Banda:


Dan - Bateria,Vocais
Bruno - Guitarras
Antônio - Baixo


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Aquilo que se convencionou chamar de Death/Thrash Metal tem renascido pelo mundo todo após anos no ostracismo. Bandas e mais bandas surgem todos os dias devotando seus esforços nesse estilo que por si só é cheio de misturas diferentes. E em uma vertente mais clássica do gênero, o trio MAGNETRON, de Rio Bonito (RJ), mostra a cara com seu segundo trabalho, o EP “Rotting”, lançado em 2016, e que agora é centro das atenções desse “review”.


Análise geral:

Basicamente, temos o formato do gênero que foi amplamente ouvido nos anos 90, ou seja, uma música feita prioritariamente com vocais guturais, mas cujos riffs remetem diretamente ao Thrash Metal mais sujo e agressivo de nomes como SLAYER. Nos solos, muita melodia e boa técnica, a base rítmica é sólida, e tudo isso permite a banda mostrar sua personalidade.

Ainda carecem de mais maturidade, mas mostram potencial para deixarem pescoços com torcicolos por semanas!


Arranjos/composições:

É justamente o ponto onde o grupo precisa amadurecer.

Eles estão em um nível muito bom, com arranjos de assimilação simples pelos ouvidos, boa diversidade técnica (sem ficarem carregados demais, o que os colocaria com uma banda de Techno Thrash Metal), mas ainda tem certo ar de ingenuidade. Não, não está ruim de forma alguma, e nem chega a ser comum (ou seja, estariam na média), mas poderia ser ainda melhor, algo que shows e ensaios irão corrigir.

No mais, a banda capricha e é capaz de mostrar partes que realmente grudam nos ouvidos, além de não serem adeptos de músicas de um fôlego só. É bem diversificado, com alguns toques melodiosos bem vindos.


Qualidade sonora:

A produção busca equilibrar a crueza brutal com um bom nível de clareza. E funciona bem (basta observar que na música “Rotting”, baixo e bateria mostram bons timbres), embora pudesse ser algo ainda mais bem finalizado. Ma verdade seja dita: está em um nível ótimo para um trabalho independente (e todos sabem o quanto é suado fazer algo do tipo no Brasil).


Arte gráfica/capa:

A capa mostra uma ilustração simples, mas direta e cuja mensagem é evidente. Um trabalho bem legal, e que faz com que as atenções fiquem centradas na música.


Destaques musicais:

“Rotting” veio ao mundo para causar torcicolos e dores de ouvidos se ouvidos no volume mais correto possível (ou seja, bem alto). E sangra em energia crua e bruta, logo, é para deixar o ouvinte em com os neurônios apitando!

Mutilation Eternal: basicamente, é um Death Metal dos anos 90 em termos de linhas harmônicas, mas cheia de arranjos de guitarras que remetem ao Thrash Metal (além do solo mostrar ótimas melodias). As partes mais lentas

Rotting: as partes mais lentas podem lembrar os ouvintes do que bandas como MAYHEM faziam em seus trabalhos iniciais, pois a ambientação é bem obscura. Aliás, que boas conduções de ritmo.

Nightmare: nesta, os andamentos ficam em um meio termo, embora existam momentos em que o peso se torna cadenciado e opressivo. Novamente, a base baixo e bateria faz bonito, sem deixar de mencionar que os vocais são bem legais (mas podem melhorar).
                     
Decay: fechando o EP, uma canção mais trampada que as anteriores, com momentos técnicos e ótimas mudanças de ritmo. Destaque para as guitarras, que mostram riffs muito bons e boa dose de criatividade.


Conclusão:

Sendo do segundo trabalho do trio (o primeiro é o EP “Inside of War”, de 2014), o MAGNETRON mostra em “Rotting” que, apesar da necessidade de lapidar um pouco mais suas canções e amadurecer sua personalidade, tem potencial para alçar vôos mais altos.


Nota: 76,0/100,0


Mutilation Eternal




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terça-feira, 14 de maio de 2019

THERION - Theli


Ano: 1996 (Lançamento) / 2019 (Relançamento)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Preludium
2. To Mega Therion
3. Cults of the Shadow
4. In the Desert of Set
5. Interludium
6. Nightside of Eden
7. Opus Eclipse
8. Invocation of Naamah
9. The Siren of the Woods
10. Grand Finale / Postludium
11. In Remembrance
12. Black Fairy
13. Fly to the Rainbow


Banda:


Christofer Johnsson - Guitarras, vocais, teclados
Jonas Mellberg - Guitarras, guitarra acústica, teclados
Lars Rosenberg - Baixo
Piotr Wawrzeniuk - Bateria, vocais


Ficha Técnica:

Therion - Produção
Gottfried Koch - Produção, engenharia de som
Jan Peter Genkel - Produção, engenharia de som, mixagem
Peter Grøn - Arte da capa
Joachim Gebhardt - Vocais (baixo)
Klaus Bülow - Vocais (baixo)
Constanze Arens - Vocais (soprano) em “Interludium”
Riekje Weber - Vocais (alto) em “Interludium”
Stephan Gade - Vocais (tenor) em “Interludium”
Dan Swanö - Vocais
Anja Krenz - Vocais (soprano)
Axel Pätz - Vocais (barítono, baixo)
Raphaela Mayhaus - Vocais (soprano)
Bettina Stumm - Vocais (soprano)
Ursula Ritters - Vocais (alto)
Ergin Onat - Vocais (tenor)
Jan Peter Genkel - Piano, teclados, programação
Gottfried Koch - Teclados, programação


Contatos:

Site Oficial: http://therion.se
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

A primeira metade dos anos 90 viu o Metal ter que retornar ao underground após o período mainstream dos anos 80 (quando Glam Metal e Thrash Metal estavam mais em evidência). A queda de produção dos titãs parece ter sido um catalisador para o renascimento do Death Metal. E quem viu os anos 80, lembra o rebuliço que “Into the Pandemonium” do CELTIC FROST, pois era bem indigesto ao radicalismo da época algo tão diferente e inovador.

Mas a verdade é que eles semearam algo que, no futuro, se tornaria uma vertente sólida do Metal, o famoso Symphonic Metal. E nisso, o grupo sueco THERION é um dos responsáveis por tirar o estilo do ostracismo e dar-lhe uma repaginada. E o fruto do que já vinha começando a surgir em “Beyond Sanctorum” (1992) e foi evoluindo em “Symphony Masses: Ho Drakon Ho Megas” (1993) e “Lepaca Kliffoth” (1995) desabrocha de vez em “Theli”, disco que redefiniria não só o som da banda, mas gera toda uma nova visão do que seria o Symphonic Metal dali por diante. E para os “atrasildos” de plantão, a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil prestaram um serviço de primeira e tornaram-no acessível a todos, brindando os fãs com uma versão nacional dele.


Análise geral:

Talvez para os mais jovens, “Theli” possa não ter o mesmo charme de sua época, tendo em vista o quanto o estilo já evoluiu (inclusive por contribuições posteriores do próprio THERION), mas existe nele uma magia, um gosto de novidade que transcendeu o tempo. Muito pouco do jeito Death Metal das origens aparecem no disco, que é recheado por orquestrações perfeitas e vocais operísticos, contribuições da North German Radio Choir e do Siren Choir. Mas se permitam perceber as influências de Metal tradicional, Classic Rock e outros que permeiam todo o álbum.

Pode-se dizer que “Theli” é a expansão das possibilidades mostradas pelos mestres dos anos 80, mas dando consensualidade ao estilo, tornando-o coerente.


Arranjos/composições:

THERION
Se antes a banda, mesmo usando de expressões Death Metal com Doom Metal, e mesmo traços de Metal tradicional europeu, aqui elas se diluem e ganham corpo e grandiosidade. “Theli” não é um disco de Metal extremo, embora muito de sua ambientação seja soturna.

Os arranjos são grandiosos graças às orquestrações de teclado muito bem feitas, aos pianos e aos sons programados que trazem aquele “feeling” de uma orquestra por trás dos instrumentos clássicos do Metal. E apesar de alguns vocais típicos de Metal, a maior parte é focada em corais operísticos. Basicamente, é uma orquestra Metal com seus cantos. Nas guitarras, baixo e bateria, não se chega a ter algo extremamente técnico, justamente para que as músicas sejam simples de serem assimiladas. A diversidade musical vem das variações rítmicas dentre as músicas, que são bem diferentes mutuamente.

Óbvio que muitos poderiam pensar que tanta diversidade faria de “Theli” um disco difícil de ser assimilado pelos ouvintes. Longe disso, pois a base instrumental tece arranjos não muito complicados, e cada refrão é de uma beleza envolvente e acessível.


Qualidade sonora:

Jan Peter Genkel (do LACRIMOSA, e que produziu CRADLE OF FILTH, DREAMS OF SANITY, entre outros) e Gottfried Koch (também do LACRIMOSA e que trabalhou com DREAMS OF SANITY, PYOGENESIS, NIGHTFALL) fizeram a produção de “Theli”, fugindo aos padrões da época, justamente por fazerem algo que fundisse o peso e agressividades de guitarras, baixo e bateria com uma ambientação clássica que desse ênfase ao lado sinfônico.

Além disso, a produção consegue dar um “boost” quando necessário no peso (como nas guitarras de “Cult of the Shadows”), mostrando que foi um trabalho esmerado e feito com bastante calma, além de que a adição de tantos cantores de ópera resultou no disco em que a gravadora mais gastou grana (aparentemente, 28000 Euros, tanto que narra uma lenda que Markus Staiger, dono da Nuclear Blast Records, na época ainda um selo pequeno, vendeu o carro para poder bancar o disco, tanto que aparece um agradecimento da banda a ele no encarte remetendo a isso, embora digam por aí que foi apenas uma piada). Mas valeu cada centavo.


Arte gráfica/capa:

THERION ao vivo
Se a banda mostrava em seus discos anteriores capas que ainda remetiam ao Metal, até nisso “Theli” foi um passo adiante. Na capa, uma arte de Peter Grøn que mostra Set, deus egípcio do mal. Pode ser uma figura ligada ao termo caldeu “theli”, que vem a ser o grande dragão que circunda todo universo.

E que trabalho bonito, bem feito e de bom gosto, que combina com o conteúdo musical.


Destaques musicais:

Hoje, mesmo depois de quase 23 anos de seu lançamento original (o disco foi lançado em 9 de Agosto de 1996), “Theli” continua sendo maravilhosamente envolvente e criativo, sedutor e grandioso. Embora o disco não soe datado (pois é um clássico), os fãs que adoram exageros podem achá-lo simples (o que em essência ele é) em relação ao que o próprio THERION faria mais adiante, ou o que outras bandas com elementos sinfônicos fariam.

Aliás, é bom que se diga: a estrutura de “Theli” é semelhante a de uma ópera, com introdução, interlúdio e final.

Preludium: é uma introdução climática, focada em teclados e piano. Serve como uma preparação aos ouvidos

To Mega Therion: e aqui começa o êxtase. Uma introdução com vocais operísticos com partes de guitarras em crescendo, mas é uma faixa sinuosa, quase como se uma música clássica escrita para o formato Metal, cheia de arranjos maravilhosos de teclados e guitarras. Basicamente, é a canção mais conhecida do disco.

Cults of the Shadow: essa é outra clássica do disco. Mezzo grandiosa, mezzo acessível, a presença de vocais normais é sensível e brilhante, sem mencionar que o ritmo é grudento, com uma solidez incrível por parte da base rítmica.

In the Desert of Set: aqui, certo toque de World Music é percebido por conta de alguns toques orientais. Guitarras e teclados fazendo um trabalho melodioso de ótimo gosto nos solos. Os tempos mais lentos dão um toque mais sombrio ao trabalho dos vocais. Ela ganha um pouco mais de gás e energia do meio em diante, onde os vocais normais e uns tons mais agressivos normais se encaixam perfeitamente.

Interludium: É outra canção instrumental pequena, e como o nome diz, é uma pausa, focada mais em guitarras, baixo e bateria.

Nightside of Eden: É um pouco mais rebuscada e rica em termo de diversidade rítmica, e mais uma vez, a ambientação é mais soturna, e alguns vocais normais dão um toque mais Gothic em alguns momentos. Mas como os riffs de guitarra e as intervenções operísticas dos vocais ficaram lindas.

Opus Eclipse: eis uma longa instrumental com muito peso por causa da base baixo-bateria, belas partes programadas emulando instrumentos clássicos, teclados com incursões inspiradas e guitarra com doses de distorção agressiva. E não cansa os ouvidos ou soa entediante.

Invocation of Naamah: Apesar de uns toques agressivos e conduções nos dois bumbos darem uma aura agressiva, as melodias são belíssima. E é uma das canções onde os vocais normais têm maior prevalência. E alguns teclados clássicos/épicos encaixaram como uma luva.

The Siren of the Woods: longa e rica em ambientações, talvez seja a canção que mais expresse o que Christofer Johnsson quis fazer em “Theli”. O início é cheio de teclados etéreos e guitarras limpas, mas longo ganha alguma distorção, mas mesmo assim, segue-se em uma beleza harmônica que cair o queixo do ouvinte. E é tão rica em detalhes de teclados, pianos, arranjos de guitarra e outros que uma audição não é suficiente para absorver tudo que existe nela.

Grand Finale/Postludium: é outra instrumental, mas que visa encerrar o disco de maneira grandiosa, quase que uma expressão Romântica da Música Clássica em formato Heavy Metal.

Estas são as faixas da versão original de 1996. Mas a versão nacional ainda tem alguns extras para os mais ávidos.

In Remembrance: essa vem das gravações de “Theli”, mas acabou ficando de for a da versão original. Ela foca em algo mais próximo do Heavy Metal tradicional, tendo os vocais de Dan Swanö, e seca das partes operísticas e vocais grandiosos. Mas os vocais estão perfeitos, assim como baixo e bateria.

Black Fairy: outra que fica mais perto do Metal tradicional e também sobrou das gravações originais do disco. Mas nessa, tem-se algumas incursões de teclados, corais simples e toda base instrumental é sólida. Riffs simples e mágicos se mesclam ás vozes e embalam o ouvinte.

Fly to the Rainbow: é costume do THERION graver covers vez por outra, e aqui tem-se uma do SCORPIONS, vindo direto do segundo disco do grupo, de 1974. Eles preservaram o “blend” Hard Rock/Classic Rock original, apenas dando uma atualizada. Respeitaram a original, mas fazendo o trabalho conforme a identidade deles.


Conclusão:

“Theli” marca o fim de uma era, já que este é o último disco em que Christofer fez vocais, e rompe com o passado extremo do grupo. Mas é, ao mesmo tempo, uma banda que abraça um leque de amplas possibilidades musicais.

E sim: “Theli” é um clássico eterno do Metal, que merece aplausos, logo, a aquisição é obrigatória.



Nota: 100,0/100,0


To Mega Therion



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