terça-feira, 19 de junho de 2018

MARDUK - Viktoria


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Werewolf
2. June 44
3. Equestrian Bloodlust
4. Tiger I
5. Narva
6. The Last Fallen
7. Viktoria
8. The Devil’s Song
9. Silent Night


Banda:


Mortuus - Vocais
Morgan - Guitarras
Devo - Baixo
Widigs - Bateria


Ficha Técnica:

Marduk - Produção, mixagem, masterização
Mortuus - Capa


Contatos:

Site Oficial: http://www.marduk.nu/
Assessoria:
E-mail:


Texto: Marcos Garcia


Existem momentos na carreira de uma banda em que mudanças ocorrem, justamente para mostrar o amadurecimento dos seus integrantes. Esta é uma força que não pode ser contida, logo, o melhor é que se abrace e deixe que ele (o amadurecimento) faça sua parte. E sendo guiado por sua identidade forjada a ferro e fogo, mas com a evolução a seu lado, o quarteto sueco MARDUK chega com mais um assalto musical, seu décimo quarto disco de estúdio, “Viktoria”.

Musicalmente, “Viktoria” nos mostra o quarteto explorando elementos musicais de seu passado, da época de discos como “Opus Nocturne” e “Heaven Shall Burn... When We Are Gathered”, ou seja, aquela agressividade intensa e brutal de sempre, mas com alguns momentos não tão velozes e extremos como de costume (“Werewolf” é um ótimo exemplo disso). Mas óbvio que ataques com velocidades estonteantes estão presentes, além de músicas bem cadenciadas e opressivas. E não, o MARDUK não mudou seu “insight” lírico, continua explorando temas satânicos e históricos que causam desespero nos SJW e adeptos do politicamente correto (embora não haja nada errado com esse tipo de letra). Mas é preciso dizer que a experiência do grupo continua dando aquela diferenciada entre o grupo e muitos outros. O quarteto possui identidade, e ponto final.

Sim, “Viktoria” é mais uma gema preciosa na discografia da banda.

Gravado mais uma vez nos Endarker Studios, tendo os próprios integrantes cuidando da produção, mixagem, masterização e engenharia sonora, este disco tem uma produção mais bem cuidada que muitos fãs mais extremistas gostariam, mas a sonoridade mais bem delineada permite que o quarteto se expresse muito melhor musicalmente. Tudo está claro aos ouvidos, com timbres ótimos, mas bem pesado, e com a agressividade e energia fluindo pelos falantes.

Já em termos de arte gráfica, a capa é uma das mais simples que a banda já teve, se não for a mais simples. Mas é essa a ideia: usando uma imagem mais direta (que foi trabalhada por Mortuus), inspirada pelos pôsteres da Reichspropagandaleitung de do Office of War Information, ela fixa em nossa memória quase que instantaneamente.

E pode-se aferir que “Viktoria” é um disco maduro. Vemos que Mortuus está cantando de maneira formidável, usando muito bem de todos os timbres de voz que possui (indo de tons rasgados a outros mais urrados sem problemas), bem como a massa rítmica criada por Devo (baixo) e Widigs (bateria) é sólida e técnica, guiando bem os tempos da banda. E Morgan continua sendo um dos melhores guitarristas de Black Metal de todos os tempos, um mestre com riffs excelentes e que são de fácil assimilação. Aliado ao talento de cada um de seus membros, existe a inspiração em termos musicais, sendo arranjar as canções de maneira sóbria (e nenhuma delas ultrapassa muito dos 4 minutos de duração), mas sempre criativa e de bom gosto.

As sirenes de ataque aéreo dão início à sinistra “Werewolf”, uma canção brutal, mas onde a velocidade não é exacerbada, com um trabalho instrumental simples, além de ótimos vocais. Já mais veloz e na pegada tradicional do grupo, temos “June 44”, os vocais alternam bastante de timbres, seguindo as mudanças de andamento (que destacam o ótimo trabalho de baixo e bateria). Em “Equestrian Bloodlust”, outra com um jeito mais tradicional da banda em termos de velocidade, onde as guitarras reinam supremas em seus riffs certeiros. Mais cadenciada e densa é “Tiger I”, com uma energia opressiva e cativante, e uma aula de interpretação dos vocais. Rapidez e impacto é o que temos em “Narva”, outra aula de riffs e arranjos fenomenais em termos de guitarras. “The Last Fallen” mostra alternância entre partes mais lentas, outras mais tradicionais em termos de Black Metal (aquelas em que as guitarras criam uma atmosfera muito soturna), e outras muito rápidas, e percebe-se ótimo trabalho de bateria, especialmente nos dois bumbos. O baixo pulsa bem evidente em muitos momentos de “Viktoria”, especialmente nas partes mais cadenciadas, outra canção impactante e que funcionará bem ao vivo. Outra que fará a alegria nas apresentações ao vivo é “The Devil’s Song”, veloz, direta e seca, mas mostrando ótimos arranjos de guitarras. E fechando, temos a sinistra e lenta “Silent Night”, que vem para triturar os ossos, mais uma vez com os vocais fazendo um trabalho ótimo, com timbres muito bons.

“Viktoria” mostra como a máquina de guerra Black Metal chamada MARDUK está azeitada e pronta para tomar de assalto o mundo inteiro. E assim, vai preparando os fãs para a “March of Blood and Iron Tour”, a próxima turnê deles na América do Sul em setembro e outubro próximos. Até lá, ouçam mais e mais esse disco, onde o grupo mais uma vez para estar entre os grandes destaques do ano.

Nota: 100%


segunda-feira, 18 de junho de 2018

THE DEAD DAISIES - Burn It Down


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Resurrected
2. Rise Up
3. Burn It Down
4. Judgement Day
5. What Goes Around
6. Bitch
7. Set Me Free
8. Dead and Gone
9. Can’t Take It with You
10. Leave Me Alone
11. Revolution (cover do THE BEATLES)


Banda:


John Corabi - Vocais
David Lowy - Guitarra base
Doug Aldrich - Guitarra solo
Marco Mendoza - Baixo
Deen Castronovo - Bateria


Ficha Técnica:

Marti Frederiksen - Produção
Anthony Focx - Mixagem
Howie Weinberg - Masterização
Sebastian Ronde - Arte da capa, design, artwork


Contatos:

Assessoria:

E-mail: tdd@mrange.de

Texto: Marcos Garcia


Quando se falar em Classic Rock (ou Hard Rock), poucas bandas jovens podem dizer que têm o estilo no sangue. Esse estilo requer profundo conhecimento de causa, e nisso, verdade seja dita: o quinteto THE DEAD DAISIES é imbatível. E o novo disco da banda, “Burn It Down”, vem para comprovar isso. Ainda bem que a Shinigami Records lançou mais esta joia do grupo por aqui.

O quarto trabalho de estúdio da banda tem uma novidade: nas baquetas está o lendário Deen Castronovo, conhecido músico que já passou pelo JOURNEY e pelo BAD ENGLISH. E musicalmente, a banda continua destilando aquele Hard Rock vigoroso e sujo, cheio de ótimas melodias de simples assimilação, refrãos muito bem construídos (bateu no ouvido, gamou, simples assim), e uma musicalidade que embora não prime pela técnica, é ótima. A única coisa que soa diferente aos seus discos anteriores é que o grupo parece ainda mais coeso, e sabendo usar muito bem o talento individual de cada um de seus músicos.

Em termos de sonoridade, o grupo mais uma vez soube manter os elementos de sua música exclusivamente nos instrumentos, usando uma gravação clara e que consegue captar o feeling de suas músicas. Óbvio que está denso e pesado, mas muito bem definida em termos de instrumentos. Nada soa excessivamente sujo ou excessivamente polido, tudo na medida certa. Além disso, a arte gráfica da banda, como sempre, pega os elementos visuais mais clássicos do gênero e cria algo que é a cara do quinteto: despojado e livre de concepções comerciais.

O THE DEAD DAISIES é algo arrasador quando se ouve, pois a espontaneidade de suas canções é evidente, algo descompromissado. E justamente por ter todo esse carrego setentista, livre de grandes ideias revolucionárias, que é apaixonante. Esse Hard Rock clássico, preenchido de influências bluesy (muito graças aos vocais de John), ganha uma roupagem nova, e soa com vida e energia sempre.

Não, não tem como destacar uma música ou outra como “as melhores”. O grupo parece ser capaz de gerar músicas excelentes de forma infinita!

As belas melodias setentistas de “Resurrected” (reparem nos solos carregados de “wah-wah” e puro feeling), o peso selvagem e ritmo denso de “Rise Up” (como a base rítmica está pesada, e com boa técnica em termos de baixo e bateria, e que refrão maravilhoso), o jeitão bluesy à lá Mississipi de algumas partes de “Burn It Down” (até hoje, nunca entendi como o MOTLEY CRUE não ficou com John, pois como a voz dele é cheia de nuances fenomenais), o feeling intimista sedutor que se alterna com momentos agressivos em “Judgement Day” (uma aula de espontaneidade, com riffs e solos são fantásticos), a psicodelia pesada e opressiva dos tempos de “What Goes Around”, o ritmo quase tribal e de simplicidade técnica de “Bitch”, as passagens mais carregadas de melancolia bluesy “noir” de “Set Me Free” (sim, eles sabem usar muito bem esse recurso, e temos uma balada linda, bem construída e cheia de melodias de primeira, com os vocais dando um sabor especial à canção), a fogosa e com aquele jeitão AC/DC “Dead and Gone” (ou seja, uma energia sem tamanho criada por uma música simples), o murro Hard Rock à lá LED ZEPPELIN de “Can’t Take It With You”, e a destruidora de tímpanos “Leave Me Alone” (um hardão colossal, com uma energia absurdamente empolgante, apoiado em uma base rítmica pesada, guitarras densa e vocais de primeira). E, além disso, a versão nacional ainda nos trás o Hard ‘n’ Roll grudento que o quinteto fez de “Revolution”, canção do THE BEATLES.

Do jeito que o THE DEAD DAISIES é, vai ser mais fácil a banda acabar do eu lançarem um disco ruim, então aproveitem “Burn It Down”, ouvindo no volume máximo!

Nota: 100%


LETHAL STORM - Manipulated Mind


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Manipulated Mind
2. As Another Day Begins
3. Where’s the Respect
4. Psychopath
5. Chemical Slave
6. Mass Annihilation
7. Disorder
8. Violence
9. Corruptos
10. Blood Storm
11. Words of Mankind


Banda:


Douglas Mota - Vocais
Diego Mota - Guitarras
Cleber Zeferino - Guitarras
Haroldo Sanchez - Baixo
Fabio Luiz - Bateria


Ficha Técnica:

Lethal Storm - Produção
Guilherme Malosso - Produção, mixagem, masterização
Jean Michel (Designations Artwork) - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:
  
Texto: Marcos Garcia


A agressividade musical é, basicamente, o componente mais forte do DNA do Metal brasileiro. O percentual de bandas que transitam pelos estilos mais extremos de Metal por aqui não é pequeno, deve ser de aproximadamente 70-75% do total. Mas o interessante é que muitos preferem fazer a coisa a seu modo que apelar a modelos já bem determinados em termos musicais. E o quinteto LETHAL STORM, de Campinas (SP) segue este rumo, como seu primeiro álbum, “Manipulated Minds”, deixa bem claro.

Podemos dizer que eles seguem uma via mais tradicional de Death metal, tendo por base bandas como SUFFOCATION e DEICIDE, mas incorporando à sua música grandes e claras doses de Thrash Metal moderno, o que lhes afere um toque técnico e fluido muito bom. Só que estas palavras de forma alguma despem o trabalho deles de identidade ou valor. Pelo contrário: o grupo prefere fazer sua música com o coração, escrevendo suas harmonias em uma visão bem pessoal. É agressivo, pesado, mas bem tocado, e bem feito. Ah, sobre a energia, não se preocupem: é de dar dores no pescoço de tanto que incita o “headbanging”.

Preparem-se, pois “Manipulated Minds” é uma bicuda de coturno nos ouvidos!

Sonoramente, o grupo conseguiu um bom nível, com uma escolha muito boa para os timbres instrumentais (algo mais seco e definido), fazendo com que a agressividade atinja níveis absurdos. Mas ao mesmo tempo, as canções soam pesadas e claras, permitindo que tenhamos acesso ao melhor de sua música. E isso sem mencionarmos que a arte gráfica de capa e encarte reforça o clima denso e bruto de suas canções.

Bruto e cheio de energia, mas ao mesmo tempo grudento e envolvente, o trabalho do LETHAL STORM chega em boa hora, deixando claro que se pode fazer algo de ótimo nível nas condições adversas de nosso país. Além disso, o quinteto soube arranjar muito bem suas composições, evitando assim que suas músicas soem repetitivas. E a influência Thrasher nos leva a ficarmos envolvidos por estas 11 canções bem feitas.

Destaques: o açoite de brutalidade infligido por “Manipulated Mind” (ótimo trabalho técnico de baixo e bateria, com boas mudanças de ritmo), a tempestade de peso e riffs de guitarra insanos que se ouve em “As Another Day Begins” (essa dupla de guitarras promete coisas boas para o futuro, e sem mencionar os vocais mais guturais bem encaixados), o ritmo mais lento e denso de “Psychopath” (outra em que as guitarras fazem bonito, especialmente pelos riffs cortantes e solos doentios à lá King/Hanneman), o soco nos dentes feroz e rápido chamado “Chemical Slave” (baixo e bateria mostrando força mais uma vez), a brutalidade opressiva de “Disorder”, a opressão imposta pelos ritmos alternantes de “Violence” (os vocais estão ótimos, como no disco todo), e a empolgação Death/Thrash Metal de “Words of Mankind” (algumas melodias muito boas surgem na canção, evidenciando que eles têm muito a oferecer). Garantia de surdez absoluta e aporrinhação aos vizinhos churrasqueiros de fim de semana!

O LETHAL STORM chega bem com “Manipulated Mind”, mostra que tem talento e potencial para ser um nome forte do cenário nacional. Quem viver, verá.

Ponho fé!

Nota: 84%


UGANGA - Manifesto Cerrado


Ano: 2018
Tipo: DVD (Documentário/Ao vivo)
Nacional


Tracklist:

1. Documentário

Show:

2. Sua Lei, Minha Lei
3. O Campo
4. Nas Entranhas do Sol
5. Couro Cru
6. Opressor
7. Moleque de Pedra
8. Modus Vivendi
9. Who Are the True (VULCANO cover)
10. Aos Pés da Grande Árvore
11. Noite


Banda:


Manu “Joker” - Vocais
Christian Franco - Guitarras
Thiago Soraggi - Guitarras
Maurício “Murcego” Pergentino - Guitarras
Raphael “Ras” Franco - Baixo, vocais
Marco Henriques - Bateria, vocais


Ficha Técnica:

Vouglas Eremita - DJ em “Couro Cru”
Juarez “Tibanha” Távora - Vocais em “Moleque de Pedra”
Mestre Mustafá - Percussão em “Noite”
Tatiane Ribeiro - Percussão em “Noite”
Lílian Salgado - Percussão em “Noite”


Contatos:

E-mail: 

Texto: Marcos Garcia


Fazer Metal ou qualquer estilo de Rock no Brasil sem apoio de público ou da grande mídia é um ato de coragem. Sim, de muita coragem, de resistência e vontade de ferro, pois em um país de terceiro mundo, onde o aspecto financeiro pouco ajuda (e até mesmo atrapalha), tudo é mais difícil, mesmo as iniciativas seminais. Mas para os raçudos como o pessoal do UGANGA, isso parece ser algo motivador. E “Manifesto Cerrado”, DVD que celebra os 20 anos da banda, é uma mostra disso.

Óbvio que falar do Thrashcore/Crossover eclético do grupo é desnecessário. É denso, sujo e com cheiro de becos, mas cheio de influências de dos mais variados estilos de Metal, e mesmo algumas coisas de fora. Por isso cai bem, pois pouco tem com bandas que rebuscam uma sonoridade mais anos 80, e pouco com as bandas Hardcore mais jovens e melodiosas.

Antes de tudo, é preciso esclarecer que o DVD é composto de duas partes:

1. Documentário: onde os 20 anos da banda são contatos;
2. Show ao vivo: uma apresentação especial do grupo em uma antiga estação de trem, o espaço Stevenson, em Araguari (MG).

Primeiramente, falemos do documentário.

Em 20 anos de atividade, muita coisa acontece. E o interessante é que existe documentação em vídeo, com takes de participação em programas na MTV (um deles, com o vocalista Manu ainda na bateria), cenas de shows antigos (inclusive um onde levaram um cover para “Tearing” do ROLLINGS BAND), filmagens da gravação do primeiro disco, entre outras, inclusive gravações de quando a banda ainda se chamava GANGA ZUMBA, entre outros.

Mas um dos momentos mais legais é mesmo quando a banda é exibida durante as gravações de “Opressor” (último disco de estúdio do grupo), onde o produtor Gustavo Vazquez fala de sua visão sobre o disco (inclusive a pré-produção, pois temos takes de Gustavo na troca da caixa de bateria, para ilustrar essa parte do processo de criação do disco). Ainda encontramos Arthur do VULCANO comentando o cover para “Who Are the True”, Murillo do GENOCÍDIO falando da participação de Manu em “I Deny” (do CD “In Love With Hatred”) e de sua participação no solo de “Who Are the True”, Juarez do SCOURGE aparece gravando sua participação em “Opressor”, de Ralf Klein (do MACBETH)... É muita coisa, tanto que boa parte do documentário é focado nas gravações e estresses ocorridos nesse período.

Nos takes da passagem do quinteto pela Europa, há momentos hilários de pura descontração que contrastam com a energia crua do quinteto em suas apresentações. Os comentários da galera do TERRORDOME ilustram bem isso. Há ainda depoimentos de Eliton Tomasi (manager e assessor de imprensa da banda), falando de como estava sendo o contato da banda com o Velho Continente.

Já na volta ao Brasil, temos um pedaço da entrevista de Manu no programa “Pegadas de Andreas Kisser”, cenas do casamento de Thiago (o pessoal mais true não vai comprar esse DVD por isso). Mas há também os comentários sobre as contusões dos integrantes na época (todo mundo teve uma), e outros problemas eternos que realmente levaram os integrantes a outro nível de estresse que realmente quase levou o grupo a seu fim.

Mas pelo visto, isso foi só para fortalecer o grupo. As dúvidas que a banda tinha foram levadas diretamente do documentário para o show.

Nisso, podemos falar sobre a apresentação ao vivo.

Na época, o processo de pré-produção desgastou a banda, e os problemas de saúde, pessoais, familiares e outros que são narrados no documentário realmente os colocaram em um momento de “ou dá ou desce”, ou seja, de questionamento se valia a pena continuar a banda ou pararem por ali. A cereja do bolo é o afastamento de um ano de Christian por conta da saúde.

No depoimento escrito que antecede o show, se percebe a intensidade do que eles passaram, tanto que apresentação é bem diferente, com a banda tocando em círculo, ou seja, os integrantes olhavam apenas uns para os outros. Além disso, a apresentação só teve familiares, amigos, parceiros, equipe. Traduzindo: somente pessoas próximas estiveram presentes nessa apresentação.

No repertório, pancadas retas e diretas que remetem a todos os discos do grupo, em um setlist bem variado. Percebe-se que realmente há uma energia densa, quase que palpável, cercando o quinteto. E essa energia se distribuiu bastante por todas as canções, resultando em versões arrasadoras para “Sua Lei, Minha Lei” (caos total, energia positiva fluindo aos montes), “Nas Entranhas do Sol” (uma canção mais densa, pesada e azeda, cm clara influência do BLACK SABBATH em muitas partes), “Couro Cru” (uma versão mais atual desse Hardcore bruto e direto, com a presença de “scratchs” de DJ Eremita), a agressividade rasgada de “Moleque de Pedra” (onde Juarez do SCOURGE faz uma participação, mesmo acidentado, mostrando o que é a fraternidade de quem é da “Old School” aos mais jovens), a mais cadenciada “Modus Vivendi”, a insanidade caótica da versão para “Who Are the True” do VULCANO (a participação de Maurício “Murcego” Pergentino acrescentou ainda mais peso e um toque de Rock ‘n’ Roll às guitarras), e “Aos Pés da Grande Árvore” (outra pancada). Encerrando, com um toque tribal/mulato à apresentação, os atabaques de Mestre Mustafá, Tatiane Ribeiro e Lílian Salgado em “Noite” (um encerramento meramente percussivo que serve para evocar o significado do nome UGANGA). E através dessa energia que fluiu da música durante todo o show realizou um exorcismo e revitalizou o quinteto, que já está pronto para novos desafios.

O trabalho da edição e captação de vídeo de Eric Shunway, mais a captação, mixagem e masterização de Gustavo Vazquez valorizaram muito “Manifesto Cerrado”, pois tanto em termos de imagem quanto de som não há o que reclamar. Alías, diga-se de passagem: pela que se vê e ouve no show, o som do UGANGA é bem orgânico, longe da busca da perfeição em estúdio. O som é o que eles tocam ao vivo, pura e simplesmente.

O lado gráfico ficou ótimo, pois além da capa muito boa criada por Marco Henriques (baterista do grupo e irmão de Manu), mas o encarte é muito legal, recheado daquelas colagens de fotos tão comuns dos anos 80, e que são bem pouco utilizadas nos dias de hoje.

Encerrando: “Manifesto Cerrado” mostra que a família UGANGA está mais unida que nunca, e que está afiada para novos compromissos sonoros. E em uma boa iniciativa do Poder Público, o DVD foi  financiado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PMIC) de Araguari (MG), sendo que o documentário foi exibido no Museu da Imagem e do Som (MIS) / Cine Santa Tereza, no mês de Junho de 2017 como parte da programação oficial do projeto “Mostra Minas no Metal”, evento que foi paralelo ao festival “Monster Of Metal”. 

Ah, sim: tanto o documentário quanto o show foram disponibilizados pela banda no Youtube, visando democratizar ao máximo o acesso das pessoas ao lançamento. Mas merece muito a aquisição da versão física.

Ah, sim 2: este autor se permitiu abordar o documentário antes do show por mera conveniência.

Nota: 96%


LYRIA - Immersion


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Follow the Music
2. Get What You Want
3. Let Me Be Me
4. The Rain
5. Give You Just a Minute
6. Best of Me
7. Last Forever
8. Hard to Believe
9. Something is Rotten
10. Ashes of My Fears
11. Run to You


Banda:


Aline Happ - Vocais
Rod Wolf - Guitarras
Thiago Zig - Baixo, vocais adicionais em “Get What You Want”, “Let Me Be Me”, e “Ashes of My Fears”


Ficha Técnica:

Marcelo Oliveira - Gravação, produção, mixagem, masterização, arranjos das orquestrações e corais, guitarras adicionais em “Last Forever”, violão em “Run to You”, programação de bateria, orquestrações
Aline Happ - Design do encarte, fotografia (contracapa)
Patrick Happ - Fotografia (capa)
Roberta Guido - Fotografia


Contatos:

Assessoria: http://orbecomunicacao.com/ (OrBe Comunicação)

Texto: Marcos Garcia


O Rio de Janeiro, embora cm um cenário distante do que já foi um dia em termos de público, ainda é um celeiro relevante para o Metal nacional, com ótimas bandas surgindo todos os dias, e com as antigas mostrando evolução constante. E um nome que realmente evoluiu muito é o do LYRIA, grupo carioca de Symphonic Metal. Se o primeiro disco, “Catharsis”, dava sinais que um talento estava surgindo na terra do Sol escaldante e praias, em “Immersion”, recém-lançado segundo álbum deles, isso fica ainda mais nítido.

Basicamente, a palavra que se poder aferir ao grupo nesse segundo trabalho é “profissionalismo”.

Em tudo, “Immersion” transpira que cada aspecto do trabalho musical deles foi talhado tendo em mente o profissionalismo de seus integrantes, sem que se perca a espontaneidade. E podemos dizer que o grupo trouxe para suas linhas melódicas os timbres instrumentais pesados e agressivos do Metal moderno, que não descaracterizaram sua canção, mas lhe deu maturidade. Sem querer fazer comparações (o que não seria justo com o grupo), este segundo disco vai nos trazer à mente a formulação que o NIGHTWISH usou em “Century Child” e “Once”, ou seja, melodias sinfônicas pesadas com a agressividade moderna da época. E isso dá à música deles uma energia imensa, sem que a elegância seja perdida, e continua sendo algo extremamente sedutor aos ouvidos.

Direto e reto: “Immersion” é um passo adiante na carreira do grupo.

A produção realmente caprichou em tudo. Tudo se ouve e se entende em “Immersion” sem problemas ou maiores esforços, sem falar que a escolha de timbres instrumentais ficou excelente. É uma sonoridade pesada e densa, mas esteticamente clara, que permite as melodias evoluírem e nos envolverem completamente. Além disso, a capa do trabalho ficou caprichada, elegante e muito bem feita, dando a ideia ao ouvinte do que o aguarda ao ouvir o disco.

O fato é que o LYRIA se faz um grupo profissional, que faz um trabalho musical visando ser assim. Não gastam o tempo deles reclamando das vicissitudes do circuito Metal brasileiro, mas focam suas energias criativas na música em si. Por isso, tudo que se ouve nesse álbum tem um toque extra de bom gosto. E sim, como eles souberam arranjar seu trabalho de forma minimalista, mas sem que aquele jeito espontâneo (que é imprescindível) seja obliterado. É Symphonic Metal com um “q” de ecleticismo em termos de Metal, pois existem alguns vocais urrados e momentos influenciados por estilos mais extremos.

O grupo desfila 11 composições muito bem feitas, que merecem ser apreciadas em sua totalidade (o que demanda mais de uma simples audição, embora a música deles não seja difícil de ser assimilada). Mas se destacam a beleza encorpada e densa de “Follow the Music” (belos arranjos de corais, sem mencionar que esses vocais macios e bem postados nos embalam), a pegada mais agressiva e cheia de mudanças rítmicas de “Get What You Want” (os contrastes entre partes mais introspectivas e outras mais pesadas é ótimo, ajudando a perceber que o baixo está muito bem, e se ouvem vocais mais agressivos contrastando com os limpos), o groove intenso e moderno que permeia “Let Me Be Me” (percebam como o grupo realmente investe pesado em termos de elegância, com teclados fazendo um fundo melódico de primeira, sem falar nos solos de guitarra), as belas passagens de teclados e melodias mais simples de “Best of Me” (há certo feeling acessível na canção, e é justamente ele que faz essas melodias agarrarem em nossos ouvidos e não saírem mais), as linhas melódicas e estruturação musical de “Last Forever”, o jeito mais pesado e direto de “Something is Rotten”, e a beleza terna de “Run to You”. Mas o disco inteiro é uma mostra de bom gosto e talento, logo, podem ouvir de ponta a ponta sem medos.

“Immersion” abre um novo caminho para o LYRIA, logo, aproveitem e deixem emergir pela música deles.

O disco já se encontra nas plataformas digitais:

Spotify: https://open.spotify.com/artist/2IeoYHbIvFxDInNLHFt0XQ
iTunes: https://itunes.apple.com/us/artist/lyria/510168369?mt=11

Nota: 91%



segunda-feira, 11 de junho de 2018

AS I LAY DYING - My Own Grave


Ano: 2018
Tipo: Single
Importado


Tracklist:

1. My Own Grave


Banda:


Tim Lambesis - Vocais
Phil Sgrosso - Guitarras
Nick Hipa - Guitarras
Josh Gilbert - Baixo, backing vocals
Jordan Mancino - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:
E-mail:


Texto: Marcos Garcia


Algumas bandas parecem predestinadas a encontrarem nas dificuldades sua fonte de energia. E no meio de uma cerrada discussão de internet (para os que adoram esse tipo de futilidade), o quinteto californiano AS I LAY DYING volta após anos de hiato, lançando um Single destruidor, o ótimo “My Own Grave”.

A verdade é: o quinteto, que está de volta com sua formação clássica, veio e mostrou que os anos em que o vocalista esteve fora de atividades não lhes tirou o talento. Ainda é o mesmo grupo com uma enorme força, um mix inteligente de brutalidade com melodias bem definidas. Mas rotular o grupo meramente como Metalcore seria ser leviano, pois a riqueza musical do AS I LAY DYING chega a surpreender, sem, no entanto, ser tecnicamente pedante.

E sim: “My Own Grave” é uma ótima forma de dizer que voltaram, e que volta!

Clara e agressiva é a qualidade sonora do Single, e bem menos gordurosa que outros grupos do gênero. E dessa forma, sabendo equilibrar os elementos de sua sonoridade, tudo soa pesado, melodioso e agressivo nas devidas doses. Além disso, a banda usa timbres musicais que tornam a audição mais prazerosa, sem exceder nos graves extremos ou mesmo em efeitos que deixariam tudo extremamente artificial.

O quinteto empurra o pé em termos de brutalidade sonora, mas também capricha nas partes mais limpas e com vocais melodiosos. Os arranjos de guitarras ficaram ótimos, e os solos são melodiosos e claros. E baixo e bateria mostram técnica, força e peso. Tudo na medida certa para “My Own Grave” se mostrar uma canção fenomenal!

“My Own Grave” tem pouco mais de quatro minutos, mostrando uma excelente diversidade de andamentos, ótimos riffs e solos, vocais e backing vocals inspirados, um refrão marcante e muitas partes bem acessíveis junto com outras bem velozes. Óbvio que em termos de AS I LAY DYING, serve como um cartão de visitas, uma mostra que estão mesmo de volta, dispostos a recuperar o tempo perdido. Mesmo a letra tem reflexões subjetivas muito interessantes. Vale a leitura e análise.

No mais, sejam bem vindos de volta, Tim, Phil, Nick, Josh e Jordan! (Be welcome back, guys)!

Antes de tudo: se veio procurar militâncias ou concordâncias, não os encontrará aqui. Sou um escritor de Metal, e não militante. Além do mais, ninguém sabe de muita coisa em que esse processo todo está imerso. Além disso, eu espero que se lembrem de como espezinharam o DECAPITATED e eles eram inocentes? Não vi ninguém que entrou em furada pedindo desculpas à banda até hoje.

And to AS I LAY DYING: here on Heavy Metal Thunder Brasil, you’ll have all the space you need.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

SKELETAL REMAINS - Devouring Mortality


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Ripperology
2. Seismic Abyss
3. Catastrophic Retribution
4. Devouring Mortality
5. Torture Labyrinth
6. Grotesque Creation
7. Parasitic Horrors
8. Mortal Decimation
9. Lifeless Manifestation
10. Reanimating Pathogen
11. Internal Detestation


Banda:


Chris Monroy - Guitarras, vocais
Adrian Obregon - Guitarras
Adrius Marquez - Baixo
Johnny Valles - Bateria


Ficha Técnica:

Dan Swanö - Mixagem
Dan Seagrave - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

  
Texto: Marcos Garcia


Fazer um som “Old School” não é algo pecaminoso, longe disso, Bandas que buscam esses estilos ajudam a preservá-los, na realidade. O problema é quando existe a mania de “control C + control V” com o trabalho alheio, um erro que muitas bandas cometem. É preciso pôr de si mesmo na música, reescrever as regras à sua maneira para que tudo funcione. Muitos espatifam os esforços na parede, mas alguns se saem muito bem. E podemos aferir que o SKELETAL REMAINS, grupo de Whittier, Califórnia (EUA) é um desses grupos que têm muito a mostrar, especialmente porque “Devouring Mortality” é uma bruta tijolada nos ouvidos!

Eles se especializaram em criar um Death Metal nos moldes dos anos 90, com clara referência a nomes como DEATH, OBITUARY, PESTILENCE, ASPHYX, MORGOTH e outros da velha guarda em suas fases mais iniciais. A diferença é: eles apanharam todos os velhos elementos e deram um sopro de vida novo, pois executam suas canções de uma forma atualizada, mas com o jeitão noventista. É um grupo que, embora não seja inovador, mostra nesse terceiro disco que merecem seu lugar ao sol. E se preparem, pois eles sabem pegar pesado, bruto e agressivo, de uma maneira que pode dilacerar tímpanos mais sensíveis.

Gravado na Califórnia nos Trench Studios, e mixado pelas mãos de Dan Swanö no Unisound Studio, podem ter certeza: a qualidade sonora de “Devouring Mortality” consegue captar o que eles querem mostrar musicalmente, mas com uma estética sonora extremamente bem feita. A crueza do som vem dos timbres que a banda usa, e não de uma gravação mal feita para se sentirem nos anos 90. Longe disso: o álbum soa bruto e rasgado como se os discos seminais dos gigantes citados acima fossem gravados hoje. E por isso é tão bom

Na arte gráfica, o velho mestre Dan Seagrave mostra que ainda é um dos melhores artistas para o Death Metal, e mesmo para o Metal. É olhar, saber que foi ele quem fez e saber que vem uma chuva de agressividade por aí!

E é isso o que o SKELETAL REMAINS oferece: um dilúvio de agressividade musical bem feita. Creio que nos anos 90, a música deles também se destacaria bastante, pois a energia e personalidade que fluem de suas canções é algo absurdo, bem como a capacidade do grupo fazer arranjos musicais bem pensados e colocados nos locais certos.

Nessa ceifa sonora que eles fazem, com 11 canções de primeira, se destacam a brutal e variada “Ripperology” (mesmo com arranjos simples, se percebe que eles têm boa técnica, e aqui, se destacam as guitarras, com bases empolgantes e solos doentios), a agressividade desmedida e com boas mudanças de ritmo de “Seismic Abyss” (baixo e bateria funcionando de maneira coesa e brutal) e de “Catastrophic Retribution” (alguma coisa da escola inglesa do gênero surge nos riffs em suas partes mais trampadas), as variações rítmicas bem ricas de “Devouring Mortality” e “Torture Labyrinth” (esta última baseada em tempos não tão velozes, com ótimas partes de vocais), a ríspida e distorcida “Mortal Decimation” (outro massacre das guitarras, com riffs e solos que mostram a clara influência do SLAYER no Death Metal, e com baixo e bateria mostrando uma técnica muito boa e que mostra que eles não estão fechados a toques mais técnicos), e a opressão veloz e bem feita de “Internal Detestation” (que passagens de guitarras e vocais!). Mas vejam bem: “Devouring Mortality” é um disco sensacional do início ao fim.

No mais, resta dizer que o SKELETAL REMAINS vem para somar, para ser uma banda nova a dar um gás novo à velha escola, que não tem cheiro de mofo ou soa “fora da validade”. E agradecimentos a Júlio Feriato, do Heavy Nation, pela dica!

Nota: 92%