segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

SEPTICFLESH - Ophidian Wheel


Ano: 1997 (lançamento original) / 2019 (relançamento)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. The Future Belongs to the Brave
2. The Ophidian Wheel
3. Phallic Litanies
4. Razor Blades of Guilt
5. Tartarus
6. On the Topmost Step of the Earth
7. Microcosmos (instrumental)
8. Geometry in Static
9. Shamanic Rite
10. Heaven Below
11. Enchantment (instrumental)
12. The Ophidian Wheel (Unreleased Mix)
13. Phallic Litanies (Unreleased Mix)
14. On the Topmost Step of the Earth (Unreleased Mix)


Banda:


Spiros - Baixo, vocais agressivos
Chris - Guitarras, teclados
Sotiris - Guitarras, vocais limpos, teclados


Ficha Técnica:

SepticFlesh - Produção
Lambros Sfiris - Produção, engenharia
Spiros Antoniou - Arte da capa
Natalie Rassoulis - Vocais (soprano)
Kostas - Bateria


Contatos:

Site Oficial: http://www.septicflesh.com/
Facebook: https://www.facebook.com/septicfleshband
Instagram: https://www.instagram.com/septicflesh_band/
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução/Momento Histórico: O ano de 1997 foi um período em que vários dos discos hoje considerados clássicos do Metal extremo vieram a este mundo. Nele, surgiram obras como “Anthems to the Welkin at Dusk” do EMPEROR, “Death Metal” do DISMEMBER, “Enthrone Darkness Triumphant” do DIMMU BORGIR “Enter the Moolinght Gate” do LORD BELIAL“A Dead Poem” do ROTTING CHRIST“The Olden Domain” do BORKNAGAR, CHILDREN OF BODOM lançava “Something Wild”, IMMORTAL vinha detonando tímpanos com Blizzard Beasts, o DEICIDE classicava com Serpents of the Light, seguido pelo HYPOCRISY com “The Final Chapter, entre tantos que merecem menção honrosa, mas a lista seria longa demais.

Capa original
Pode-se dizer que, em termos de popularidade, foi um dos anos em que mais se consumiu Metal extremo no mundo. Mas nem todos os discos receberam a mesma atenção, e alguns ótimos trabalhos ficaram relegados ao segundo plano. E um deles é “Ophidian Wheel”, terceiro álbum do grupo grego SEPTICFLESH (na época, ainda chamado SEPTIC FLESH), que a Cold Art Industry Records coloca nas prateleiras das lojas brasileiras em uma versão muito bonita.

Análise geral: Após dois discos com uma sonoridade mais experimental (o que se ouvia em “Mystic Places of Dawn" de 1994, e em “Έσοπτρον” de 1995), aqui o grupo resolveu criar algo mais direto em termos de Death Metal. Mas em “Ophidian Wheel” existe a presença de elementos de Gothic Rock, melodias bem feitas e orquestrações, além de vocais soprano dando aquele toque sinfônico ao som bem trabalhado e brutal da banda. Existem momentos mais agressivos e com toda a carga musical do Death Metal, há outros em que toda a estética refinada e mais consensual adotada para este álbum se tornam um mirante para o que eles iriam fazer no futuro. Ou seja, este disco é de onde o que se conhecerá nas obras futuras do grupo começa a se tornar real.

Arranjos/composições: Se antes a banda tinha problemas em deixar sua música mais coesa, eles desapareceram. Todo o trabalho feito por eles para ajustar composições e arranjos fica evidenciado em cada canção, nos ajustes que mantém a coerência do disco como um todo. Poderia se dizer que “Ophidian Wheel” é um dos primeiros discos de Death Metal sinfônico, já que essa fusão, para aqueles anos, era algo bem diferente. O uso de melodias mais soturnas, os contrastes de vocais masculinos guturais e limpos, e femininos em soprano, belíssimas orquestrações de teclados e um trabalho rítmico sólido e diversificado fazem de “Ophidian Wheel” um excelente trabalho. Poderia se dizer (com as devidas noções de que esta comparação não é uma verdade absoluta ou fechada) que ele seria o THERION seria se tivesse continuado no Death Metal.

Qualidade sonora: Tendo em vista que este disco foi gravado e mixado no Praxis Studio entre Outubro e Novembro de 1996, e que foi lançado em 1997, a sonoridade dele, embora bem melhor que seus antecessores, soa um pouco mais crua que o necessário, algo que era muito comum para aquela época. Mas mesmo assim, ela está bem acima de média, buscando equilibrar peso, agressividade e clareza em proporções iguais. Ainda era uma época onde tudo estava sendo construído, logo, é uma qualidade ótima, e até hoje soa bem aos ouvidos.

Edição brasileira da Cold Art Industry Records

Arte gráfica/capa: Eis o filé dessa versão. Ela é baseada na arte do relançamento de 2013, mas a edição nacional tem alguns itens muito legais: o primeiro é um slipcase muito bem feito e que protege o jewelcase interior. Além disso, tem-se como itens exclusivos da pré-venda calendário, adesivo e um pôster tamanho A4. Tudo adicional e que ainda pode ser adquirido pela internet.



Destaques musicais: Diferente e extremamente sedutor, esta versão de “Ophidian Whell” tem 3 músicas bônus em relação à edição original. E apesar da qualidade das canções ser nivelada por cima, destacam-se:

“The Future Belongs to the Brave”: uma faixa de abertura que tem 70% dela voltada ao Death Metal puro e simples, mas com algumas mudanças de ritmo ótimas, além de passagens cheias de teclados e com vocais femininos que dão toques de beleza à canção.

“The Ophidian Wheel”: a aura sinfônico-melódica de primeira se mescla a elementos de Gothic Rock aqui e ali (por isso a estruturação das linhas de guitarra soa simples em muitos momentos). E justamente as partes das guitarras se destacam, dando um toque de sutileza muito bem vindo ao que já é ótimo.

“Phallic Litanies”: passagens onde vocais limpos e sopranos contrastam dando um toque quase que Pop/New Age ao som bruto e agressivo do grupo. Em poucas palavras, seria o encontro perfeito entre a brutalidade do CANNIBAL CORPSE com o refinamento do MOONSPELL de “Irreligious”.

“Razor Blades of Guilt”: algumas melodias mais melancólicas surgem nos arranjos de guitarras, remetendo ao Doom/Death Metal. As partes mais arrastadas dão destaque a baixo (que está excelente) e bateria.

“Geometry in Static”: esta é uma canção onde partes velozes com blast beats se entremeiam com momentos que beiram o Death/Black Metal moderno (e isso alguns anos antes do estilo ser canonizado) e outros mais suaves (onde os vocais femininos ganham maior expressividade). Novamente, uma faixa que privilegia bastante os vocais.

“Shamanic Rite”: mais interiorizada e climática, alguns vocais remetem ao Oriental Metal, embora toda estruturação melódica seja de Symphonic Death Metal, com belíssimas partes de bateria e guitarras.

“Heaven Below”: a profundidade melancólica do Gothic Rock novamente fica evidente por conta das melodias. Belíssima partes de guitarras mais uma vez.

As canções bônus são mixagens alternativas para “The Ophidian Wheel”, “Phallic Litanies” e “On the Topmost Step of the Earth”, cada uma delas com suas próprias belezas, e ainda bem que o relançamento de 2013 trouxe-as à luz.

Conclusão: Desta forma, se atesta que “Ophidian Wheel” realmente merecia esta edição, pois é a guinada do SEPTICFLESH para seu estilo atual, e que o grupo merece uma maior atenção dos headbangers brasileiros que gostam das vertentes extremas. E verdade seja dita: esses gregos ainda tem muita lenha para queimar.

Nota: 98%


Ophidian Wheel”:  http://bit.ly/2SHjZHY



Spotify

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

FRED MIKA - Withdrawal Symptoms

Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Rock Company 

Nacional 

Tracklist: 

1. The Coming of Symptoms 
2. Wired In 
3. Artwork Nightmare 
4. Sly Side Effect 
5. Silence in Heaven 
6. Saints Spirits & Slaves Sinners 
7. First Day Without You (acoustic version) 
8. Sharppia 
9. Dawning of Aquarius 
10. Second Skin Arena 
11. Miss Misery 


Banda: 


Fred Mika - Bateria, percussão, talkbox


Ficha Técnica:

Andre Adonis (SUNROAD) - Guitarras, baixo, teclados, vocais em “Silence in Heaven” e “Miss Misery”
Carl Dixon (CONEY HATCH, APRIL WINE, GUESS WHO) - Vocais em “Wired In”
Michael Vöss (MAD MAX, CASANOVA, M.S.G., PHANTOM V) - Vocais em “Artwork Nightmare”
Haig Berberian (DOGMAN) - Vocais em “Sly Side Effect”
Daniel Vargas (ADELLAIDE) - Vocais em “First Day Without You (acoustic version)”
Tito Falaschi - Backing vocals em “First Day Without You (acoustic version)”
Rod Marenna (MARENNA) - Vocais em “Saints Spirits & Slaves Sinners”
Steph Honde (HOLLYWOOD MONSTERS) - Vocais em “Sharppia”
Mario Pastore (PASTORE) - Vocais em “Second Skin Arena”



Contatos:

Site Oficial:
Facebook: https://www.facebook.com/officialmusikrecords
Instagram:
Assessoria: http://roadie-metal.com/press/ (Roadie Metal Press)
E-mail: musikrecordsmk@hotmail.com

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: Os famosos “álbuns solo” de artistas conhecidos, em geral, são ferramentas utilizadas para que o mesmo se expresse de forma diferente do que os fãs estão acostumados nos trabalhos principais dos mesmos. Por isso, podem existir choques, reações estranhas e outros. Mas em geral, quando o músico é experiente, sempre vem coisa de qualidade. E é tudo isso e mais um pouco que “Withdrawal Symptoms” nos dá. E é o primeiro disco solo do baterista guianense FRED MIKA.

Análise geral: Basicamente, Fred está envolvido com música desde 1984, tendo sido cantor, além de ter passado pela guitarra e piano antes de se tornar baterista, tendo como sua banda principal o SUNROAD, banda especializada em um Hard/Glam . Só que em “Withdrawal Symptoms” tem-se um trabalho que transita pelo Hard/Glam e o AOR, com alguns momentos que chegam bem próximos do Classic Rock e mesmo alguns flertes de leve com o Hard Pop. Ou seja, é algo musicalmente acessível, mas bem feito e de alto nível. Aliás, é algo para fã nenhum de boa música botar defeito.

Arranjos/composições: As diferenças entre este disco de Fred e o trabalho do SUNROAD residem na questão de peso: em sua banda principal, a banda tem inclinações ao Hard Rock/Classic Rock da virada dos 70 para os 80 com um enfoque moderno; já este álbum tem linhas melódicas bem mais acessíveis, e mesmo longe de soar datado, está com uma envoltória dos anos 80, a era máxima do Hard/AOR. Os arranjos se encaixam como um quebra-cabeça, gerando canções melodiosas e acessíveis (algumas com suas doses de peso), os ritmos são seguros e com boa dose de peso, guitarras com riffs melodiosos e solos bem feitos, mas nos vocais reside uma mágica: são todos convidados ilustres, de bandas nacionais e internacionais, que emprestaram seu talento a “Withdrawal Symptoms”. Por isso, essa vida esplendorosa flui das canções, e é impossível resistir.

Qualidade sonora: Um pouco mais cru (existe aquela sensação de “fumaça” quando se houve as canções) que o necessário para este tipo de música, a sonoridade que flui de “Withdrawal Symptoms” busca soar moderna e com um toque essencial de peso (o que conseguiram de fato). Está de bom nível ao ponto de se entender o que é tocado, bem como as melodias ficam bem claras, mas um pouco mais de limpeza ajudaria o trabalho a soar mais grandioso.

Arte gráfica/capa: Usando contrastes de azul e vermelho sobre uma foto de Fred, a capa por si é chamativa e ficou muito boa, algo encorpado e direto, mas é o jeito das artes desse gênero.

Destaques musicais: Elogiar o que se ouve em “Withdrawal Symptoms”.é fazer chover no molhado. O disco inteiro é ótimo, com todas as canções sendo preciosas e merecendo citação, mas por mera referência ao leitor, são citadas as seguintes:

“Wired In”: Um forte clima “anos 80” permeia a canção, que por si é extremamente acessível, além de possuir um andamento em ritmo comportado, e um refrão excelente (e que vocais).

“Artwork Nightmare”: Mais dinâmica e pesada que a anterior pelo foco estar mais nas guitarras que nos teclados, a acessibilidade musical não diminui, os arranjos são excelentes, e tudo funciona justinho.

“Sly Side Effect”: Esta puxa mais para Glam Metal californiano dos anos 80, embora com uma pegada pesada e instigante. Há algo de KISS fase Glam nessa canção por conta do uso uma base rítmica sólida e pesada.

“Saints Spirits & Slaves Sinners”: Rebuscando o peso e crueza do Hard/AOR do final dos anos 70 nas melodias, a força melodiosa chega a ser assombrosa. E os teclados se entremeiam muito bem com os teclados, e novamente um refrão marcante e acessível.

“Dawning of Aquarius”: Muito peso e boa dose de agressividade nas guitarras, sem que a estética e dinâmica acessível do trabalho como um todo seja perdida. E novamente os vocais se destacam bastante.

“Second Skin Arena”: Eis a faixa mais pesada e moderna do disco, mas mesmo assim, as linhas melódicas mostram contrastes sublimes. Novamente os vocais se destacam bastante (mas quando se fala em Mario Pastore, chega a ser desnecessário maiores menções).

“Miss Misery”: Quase um Sleasy Rock ultrajante e pesado, esta aqui tem um ritmo arrastado, azedo e intenso, com linhas melódicas criadas pelas guitarras que relembram os momentos mais comerciais do BLACK SABBATH.

Conclusão: A verdade é que “Withdrawal Symptoms” é um disco envolvente, precioso em suas melodias e expressão. Logo, esperemos que Fred não pare nele e que um sucessor já esteja sendo planejado.

Nota: 93%


Artwork Nightmare”: http://bit.ly/2V10XsC



Bandcamp


MAGNÉTICA - Homo sapiens brasiliensis

Ano: 2018 
Tipo: Full Length 
Selo: Independente 
Nacional 


















Tracklist: 

1. Inflamáveis
2. Super Aquecendo
3. Homo sapiens brasiliensis
4. Céu de Abril
5. Descãonhecido
6. Crianças
7. Interstellar
8. Os Magnéticos
9. Natural
10. Minha Hora


Banda: 


Rafael Musa - Vocais, guitarras
Kelson Palharini - Guitarras
Anderson Pavan - Baixo
Marcos Ribeiro - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial: http://www.magneticaoficial.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/magneticaoficial/
Instagram: https://www.instagram.com/magnetica_oficial
Assessoria: http://roadie-metal.com/press/magnetica (Roadie Metal Press)
E-mail: magneticaoficial@gmail.com

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: Desde a primeira metade dos anos 90, as bandas do chamado Rock Brasil (ou seja, aquela leva que fez sucesso na segunda metade da década de 90, que tinham um forte apelo Pop) sofreram derrotas comerciais seguidas, uma vez que todo modismo cessa após o povo ficar saturado e buscar por outros estilos. Alguns grupos de Rock mais visceral como o CAMISA DE VENUS resistiram e ainda estão por aí, embora sem o mesmo sucesso comercial. E seguindo uma veia “Rocker” mais suja e despojada vem o quinteto MAGNÉTICA, de Bebedouro (SP), com “Homo sapiens brasiliensis”.

Análise geral: Sujo e direto, mas melodioso e grudento, temos que o grupo é um autêntico “Rock ‘n’ Roll Rebel”, visceral e com uma dose de Hard Rock/Rock ‘n’ Roll brasileiro dos anos 70 em alguns momentos (nomes como CASA DAS MÁQUINAS e JOELHO DE PORCO são boas referências), mas sem soar datado; em outros, tem mais inclinação para uma formatação melodiosa e envolvente moderna à lá Grunge/Alternativo, sem deixar de ser uma bicuda nos ouvidos. Mas mesmo com isso, eles têm um forte apelo comercial devido à acessibilidade de sua música. Ou seja, é ouvir e gostar, pois é daquele tipo que se ouve uma ou duas vezes, e fica na memória, quer o ouvinte queira ou não.

Arranjos/composições: O trabalho deles, para início de conversa, foge do minimalismo autoindulgente técnico. Não, com eles, é melodias bem feitas e eficientes, cada refrão as espontâneo e é gruda nos ouvidos pior que chiclete em sola de sapato, com arranjos fluídos e espontâneos. E eis o segredo se sua música: ela não é forçada a ser algo, apenas é a manifestação do que os integrantes sentem. Aliás, rebeldia é o que não falta em “Homo sapiens brasiliensis” (e a escrita está certa, pois em Biologia, é assim que se escreve o nome científico de uma espécie em latim, e com apenas o primeiro nome com letra maiúscula no início).

Qualidade sonora: Muito da modernidade e agressividade da banda vem da qualidade sonora. A escolha de timbres mais naturais e estilo “plug ‘n’ play” (ou seja, plugaram, regularam e sentaram a mamona sem dó), e aparentemente sem infinitas edições digitais, reforçou a espontaneidade e toque “Rock ‘n’ Roll Rebel”. Mas soa bem definido, com tudo sendo entendido claramente pelos ouvintes.

Arte gráfica/capa: Fica óbvio que o grupo tem uma forte conotação irônica e rebelde em suas letras, o que transparece na capa, muito bem feita: o brasileiro como um triste palhaço, apenas observando o circo pegar fogo. Irônica, mas realista.

Destaques musicais: Para aqueles que sentem saudades do melhor Rock ‘n’ Roll dos anos 70 e 80 feito no Brasil, tenham plena certeza: “Homo sapiens brasiliensis” foi feito para você. E mesmo sendo nivelado por cima em termos de músicas, se destacam:

“Inflamáveis”: Moderna, crua e pesada, lembra um pouco o lado mais visceral de bandas de Grunge/Alternativo norte-americano, com boa dose de peso e agressividade. Os vocais e backing vocals ficaram ótimos.

“Super Aquecendo”: Lembram-se daquele típico Rock basicão com levada de Blues que realmente gruda na mente? É isso que se tem aqui, só que com um equilíbrio entre melodia e agressividade.

“Homo sapiens brasiliensis”: Mesmo sendo azeda e agressiva, é uma das mais acessíveis do disco. Pode-se dizer que esta combinação flui muito bem graças às guitarras, que estão muito bem, especialmente nos solos melodiosos e certinhos.

“Céu de Abril”: a típica canção acessível de discos de Rock, com melodias bem definidas e que são assimiladas facilmente pelos ouvintes. Seria um “hit” certo para rádios nos anos 80.

“Crianças”: Suave e com certo toque de melancolia, oscila entre partes lentas e introspectivas (onde o baixo mostra um bom trabalho), e com crescendos fortes no refrão.

“Os Magnéticos”: Um Rock comercial e grudento, de fácil entendimento pelo ouvinte e com o nível técnico um pouco mais rebuscado em termos de arranjos nas guitarras (embora a bateria esteja ótima também).

Conclusão: O MAGNÉTICA é uma banda que faria imenso sucesso entre 1985 e 1992, com toda a certeza. Mas, mesmo estando em 2019, “Homo sapiens brasiliensis” é um excelente disco para todas as gerações de fãs de Rock, sejam dos anos 50, 60, 70, 80, 90, 2000, nível Mumm-Ra, enfim, todos os que ainda preferem ouvir o bom e velho estilo do que se trocar por modismos.

Ah, quer ouvir “Homo sapiens brasiliensis”? Vai fundo!


Nota: 86%


Homo sapiens brasiliensis”: http://bit.ly/2X03vsY


Spotify

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

GRINDING REACTION - O Caos Será a Tua Herança

Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional
















Tracklist:

1. O Caos Será a Tua Herança
2. Os Fins Justificam os Meios
3. Recuse a Cegueira
4. Flagelo
5. Guerra Urbana
6. Dor Sofrimento e Morte
7. Cangalha
8. Marionete
9. Negra Sina
10. Piada
11. Inimigo no Espelho
12. As Ameaças Não Devem Mudar a Verdade 
13. Pesadelo Latino Americano 
14. Rato Cinza 
15. Vida Útil 
16. Verdades e Utopias


Banda: 



Ricardo - Vocais
Victor - Guitarras
Rafael - Guitarras
Renato - Baixo
Weslley - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial: https://grindingreaction.blogspot.com/
Facebook: https://www.facebook.com/grindingreactionfanpage/
Instagram:
Assessoria: http://roadie-metal.com/press/grinding-reaction (Roadie Metal Press)
E-mail: grindingreaction@hotmail.com

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: Desde a virada dos anos 70 para os anos 80, não é novidade o quanto o Punk e o Hardcore, tanto nos aspectos musicais como culturais, têm enorme peso no underground brasileiro. Inclusive era comum ver fãs e membros de bandas de Metal usando camisetas de bandas de Hardcore (uma das mais célebres é a de Max na contracapa da edição em vinil de “Morbid Visions”). Por isso, ouvir um híbrido de Hardcore e Metal em “O Caos Será a Tua Herança”, do quinteto GRINDING REACTION (de Diadema, SP), já não chega a ser algo inesperado, mas é sempre uma ótima experiência.

Análise geral: O quinteto despeja um trabalho musical que tem por base o Hardcore, mas cheio de fortes toques de Thrashcore e Crossover, e mesmo alguns trechos de 1 X 1 extremos são ouvidos (como em “Os Fins Justificam os Meios” e “As Ameaças Não Devem Mudar a Verdade”). Isso mostra que a experiência de quase 20 anos de vida amadureceu o grupo ao ponto de serem abertos à novas influências, o que faz com que o trabalho do grupo seja de primeira. Sim, eles são muito bons no que fazem!

Arranjos/composições: Embora a fórmula-base do que o quinteto faz não seja desconhecida (já que a fusão de Hardcore com elementos de Metal extremo é algo que vem sendo feito desde os anos 80), a abordagem deles é bem pessoal, inclusive com o uso de solos de guitarra melodiosos, alguns toques “sabbathícos” aqui e ali nos momentos mais cadenciados, Outro ponto forte do trabalho do grupo é a diversidade de arranjos: diferentemente dos grupos mais “old school” de Hardcore/Punk, o grupo sabem trabalhar sua música com passagens rítmicas diferentes, e mesmo mudanças de harmonias. Não chega a ser difícil de ser digerido pelos sentidos, mas está longe da abordagem tradicional simplista do gênero.

Qualidade sonora: O clima “Do It Yourself” permeia a sonoridade de “O Caos Será a Tua Herança”, por conta da dose de crueza necessária para que a música do grupo seja convincente. Mas se percebe que houve uma enorme preocupação em criar algo que os ouvintes pudessem compreender e assimilar sem problemas. Ou seja, está agressivo e pesado, mas com uma qualidade sonora de ótimo nível.

Arte gráfica/capa: Como se percebe que o conteúdo lírico da banda é de forte conotação social e de protesto, a capa mostra uma arte que chega a ser ameaçadora, mostrando o que a falta de olhos para o necessário ao povo pode causar: um futuro onde o dinheiro ganho em corrupção não salvará os canalhas.

Destaques musicais: Embora todas as canções de “O Caos Será a Tua Herança” sejam ótimas (a maioria é bem curta, tendo em média dois minutos, mas algumas poucas passam dos 3 minutos), causando slam dancing e moshpits sem fim, existem os pontos altos entre as 16 canções do grupo, que são:

“Os Fins Justificam os Meios”: Um cartão de apresentações e tanto, com boas mudanças de ritmo e um trabalho técnico muito bom. Destaque para a técnica firme de baixo e bateria.

“Recuse a Cegueira”: Aqui a banda capricha em tempos mais lentos no início (antes de ganhar uma velocidade Hardcore tradicional), mas mantendo um enfoque agressivo denso e cheio de ótimos vocais e backing vocals, além dos ótimos solos melódicos de guitarra.

“Flagelo”: Aqui a banda se aproxima um pouco do Hardcore moderno, com ritmos mais lentos, mas sem remeterem aos grupos conhecidos. Ainda soa tradicional, pesado e agressivo, mas com uma dose extra de peso e técnica.

“Guerra Urbana”: Lembram-se do som costumeiro do H.C.N.Y, ou seja, o Hardcore de Nova York, com tempos que transitam entre o veloz e o mais cadenciado à lá CRO-MAGS? Pois é, é isso que os aguarda nessa canção que exibe vocais muito bons (esses timbres gritados remetem diretamente às raízes do HC).

“Marionete”: Depois de um início mais lento, o restante mostra um ritmo em tempos medianos, mais uma vez com baixo e bateria se destacando pela base rítmica sólida.

“Negra Sina”: Uma das mais empolgantes do disco, justamente por ser aproximar do Hardcore/Crossover tradicional em muitos momentos. Reparem na rispidez dos riffs de guitarra.

“Piada”: Curta e grossa, o típico Hardcore do ABC Paulista, com partes rápidas e brutas, e outras mais melodiosas e quase irônicas. A adrenalina sobe a níveis estratosféricos.

“Inimigo no Espelho”: O momento em que o quinteto mais se aproxima do Thrash Metal, já que as partes mais lentas propiciam esta proximidade; mas os tempos rápidos que aparecem vez por outra mostram o quão eles têm de Hardcore nas veias.

“Pesadelo Latino Americano”: Outra que é curta e grossa, um murro de velocidade direto nos tímpanos.

“Vida Útil”: Aqui as influências do Thrash Metal Old School surgem em alguns fraseados das guitarras, como em seu início (que lembram bastante o SLAYER da fase “Show No Mercy”), mas o jeitão do Crossover Norte Americano domina o restante por conta das partes velozes.

Conclusão: A verdade é que “O Caos Será a Tua Herança” não nasceu com a vontade de revolucionar algo. O lance do GRINDING REACTION é fazer sua música sem dar bola para modismos ou mesmo elogios passageiros. O grupo veio, está aí há 18 anos e deve continuar jogando pedras no sistema por muitos anos. Música para isso eles têm.

E “O Caos Será a Tua Herança” pode ser ouvido nas seguintes plataformas digitais.


Nota: 87%


“Os Fins Justificam os Meios”:  http://bit.ly/2X03vsY





Spotify

R. I. V. - Prog-Core

Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


















Tracklist:

1. War Flames
2. Headache
3. No... P.A.S.
4. Rainbow Warrior’s Mayday
5. Progressive Core
6. Testicle Man
7. Caligula 2332 D.C.
8. Freaks in Action
9. Animal
10. Delicious Nham! Nham!
11. Ashes
12. Spiral


Banda:


Helbert de Sá - Vocais, guitarras
Ana Lima - Baixo
Ricardo Parreiras - Bateria


Ficha Técnica:

Helbert de Sá - Mixagem, masterização


Contatos:

Site Oficial: http://www.riv.com.br

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Ao ser introduzido a novos conceitos e formas de se fazer música, os fãs em geral tem uma torcida de nariz de descontentamento. É normal ver isso em fãs mais tarimbados, como ocorria quando discos como “Apocalyptic Raids” e “Seven Churches” foram lançados. Mesmo “Kill ‘Em All” teve uma recepção atravessada pelos mais velhos, enquanto os jovens abraçaram essas novas manifestações, e ocorre até hoje (os que aceitaram o POSSESSED em 1985 recriminam os fãs de AVENGED SEVENFOLD e DISTURBED hoje em dia). O inovador sempre tem essas reações, logo, o trio mineiro R.I.V. (RHYTHMS IN VIOLENCE) pode se preparar para esta sabatina, pois “Prog-Core” nasceu para causar polêmica.

Análise geral: Antes de tudo, o conceito Prog-Core é uma fusão de tantos elementos de tantos vertentes de Metal que fica difícil fazer considerações mais profundas. De forma aproximada, seria a fusão da técnica do Prog Metal com um Hardcore/Crossover raivoso e agressivo, mais toques experimentais, muito Groove gorduroso, e mais, muito mais que isso. É desafiador, e por isso, merece aplausos.

Arranjos/composições: Ritmos quebrados e boa técnica são permeados por uma ambientação agressiva, com ótimo trabalho de baixo e bateria, guitarras eficientes em riffs que acompanham toda a diversidade rítmica, além de vocais com timbres agressivos. A verdade é que trio se tornou ainda mais rebuscado e complexo do que se ouve no EP “Welcome to Prog-Core”, mas sem que suas canções se tornem entediantes (pode ser para quem vive parado no tempo). Arranjos bem feitos, partes empolgantes e uma soma de influências musicais tão díspares entre elas que fazer tal alquimia não deve ter sido simples.

Qualidade sonora: Aos que ainda não entendem: o sufixo “core” (em termos musicais) é uma referência ao Hardcore. Logo, a sonoridade do álbum é mais seca, bruta e suja, sem ficar enfeitando demais o trabalho do grupo com infinitas edições. Mas existem momentos em que os timbres de guitarra se tornam carregados e com toques modernos. Poderia ser melhor, mas está de bom nível.

Arte completa

Arte gráfica/capa: Nisso, toda a insanidade musical do trio fica óbvia. O belo digipack usado nos mostra uma arte mostra um “link” entre criação de “Prog-Core” ao processo em que o Monstro de Frankenstein foi desenvolvido. Logo, é algo de alto nível.



Destaques musicais: Despojado e criativo, “Prog-Core” vem para desafiar as velhas gerações de fãs, bem como para abrir possibilidades musicais diferentes. Muitos irão ficar de “mimimi” na internet, mas o R.I.V. representa o novo, o vivo, e o excelente. Logo, destacam-se por mera conveniência as seguintes canções:

“War Flames”: Tempos quebrados e muita adrenalina permeiam a canção de abertura do disco. Mas se preparem, pois partes mais empolgantes de Crossover/Thrash Metal aparecem, e o trabalho de baixo e bateria está muito bom (embora o timbre da caixa pudesse ser melhor). E se repararem, tem-se toques experimentais no meio do caos que o trio cria.

“Headache”: O nível de caos aumenta com o uso de efeitos especiais bem colocados, ainda se tem contrastes entre momentos mais Hardcore e outros experimentais. As guitarras estão ótimas. Esta é uma das faixas do EP “Welcome to Prog-Core”, aqui em uma versão mais bem gravada.

R.I.V.
“Rainbow Warrior’s Mayday”: Aqui o lado Crossover do grupo fica mais evidenciado, e mesmo com uma diversidade rítmica não tão ampla, os toques mais experimentais continuam presentes. Os vocais e corais ficaram muito bons.

“Progressive Core”: Bons contrastes entre os tempos, com partes mais cadenciadas, outras mais técnicas e momentos velozes. Mas cuidado: o caldeirão experimental do trio continua fervendo!

“Caligula 2332 D.C.”: É uma das faixas mais “calmas” do disco (se é que existem momentos sem muito caos nele), onde o grupo foca mais em criar algo agressivo e com toques de Groove moderno no meio do Crossover ríspido que é essa canção.

“Freaks in Action”: Essa música deve ser uma auto-biografia deles, já que tome mudanças de ritmo, experimentos, groove e tudo misturado de uma vez só. Mas é empolgante, grudenta e convidativa ao slamdancing.

“Delicious Nham! Nham!”: Com uma mistura de humor negro e crítica na letra, é um Crossover raivoso, cheio de energia e um pouco mais simples e direto, um murro nos ouvidos.

“Ashes”: Esta exibe partes mais cadenciadas contrastando com momentos velozes, adornada com arranjos diferentes e mesmo alguns “breakdowns” modernos. Uma torrente de agressividade com adrenalina fluindo aos borbotões dos falantes.

Conclusão: A verdade é que “Prog-Core” é um disco bem inovador, diferente e que tende a causar muito bate-boca. Mas seu valor é incontestável, e o R.I.V. se mostra uma opção ótima para os que conseguem aceitar aquilo que é novo sem problemas. Desta forma, se deixa tomar por estes novos Drs. Frankensteins do Metal/Hardcore.

Nota: 90%