segunda-feira, 14 de maio de 2018

CANDLEMASS - House of Doom


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Importado


Tracklist:

1. House of Doom
2. Flowers of Deception
3. Fortuneteller
4. Dolls on a Wall


Banda:


Mats Levén - Vocais
Mats “Mappe” Björkman - Guitarra base
Lars “Lasse” Johansson - Guitarra solo
Leif Edling - Baixo
Jan Lindh - Bateria


Ficha Técnica:

Leif Edling - Produção
Tobias Forge - Vocais em “House of Doom” (na versão em vinil do EP)


Contatos:

Assessoria: olebang@newmail.dk (Ole Bang)

E-mail:


Texto: Marcos Garcia


Talvez um dos estilos mais inóspitos do Metal seja o Doom Metal. Sim, pois o jeito de ser lento e azedo, rebuscando os elementos mais pesados e densos que o BLACK SABBATH deu origem em seus 3 primeiros discos, não é palatável para todos os fãs de Metal. Mas mesmo assim, é um gênero fascinante e cheio de belezas para aqueles que o conhecem a fundo. E assim, um dos pioneiros do estilo, o quinteto sueco CANDLEMASS, retorna à carga com o EP “House of Doom”, mostrando que apesar dos projetos paralelos de Leif Edling (seu baixista e mentor), a banda ainda tem lenha para queimar.

Óbvio que o EP vai trazer polêmicas pela presença de Mats Levén nos vocais, ocupando o lugar de monstros como Messiah Marcolin e Robert Lowe. No fundo, toda troca de vocalistas gera desconforto, mas no caso do quinteto, o que temos no EP é o mais puro Doom Metal que possam imaginar. Embora distante de ser algo revolucionário como o que se ouve em vários álbuns da banda, “House of Doom” é um bom trabalho, e que vem para mostrar que o CANDLEMASS está vivo, pronto para desafios maiores.

Como falamos de Doom Metal, existe aquela sujeira essencial ao estilo permeando a sonoridade, mas sem que a qualidade sonora limpa e inteligível (coisa a qual o grupo nunca abriu mão). Ou seja, a produção busca caprichar no som mais característico do grupo, sem pesar demais a mão na agressividade e peso, mas sem deixar limpo demais e descaracterizado. É o tipo de sonoridade que nos acostumamos aos últimos discos da banda: pesado e denso, mas bem delineado em termos de instrumental.

Se por um lado “House of Doom” não chega ao alto nível musical que conhecemos de “Nightfall”, “Tales of Creation” e “King of the Grey Islands”, por outro não podemos acusar o CANDLEMASS de estar se repetindo ou de ser um disco ruim. Não, de forma alguma este EP é uma cicatriza na carreira da banda. Com suas diferenças, aponta para o futuro, mostrando que o quinteto ainda tem o que mostrar e ensinar aos mais novos em seu enfoque clássico e melódico do Doom Metal.

“House of Doom” abre o EP mostrando uma energia crua e uma pegada pesada e ganchuda, baseando sua força em riffs de guitarra excelentes e marcantes (além de um refrão magistral e simples de se absorver). Seguindo nessa mesma linha, temos “Flowers of Deception”, outra pesada e com ritmo intenso, mas com boas melodias e uma base rítmica sólida e simples (coisa que sempre foi uma característica da banda). Ambas duram mais de seis minutos.

“Fortuneteller” é uma balada mais melodiosa, baseada em melodias soturnas de violões e um vocal com tons mais naturais (onde se percebe maior versatilidade no trabalho de Mats). Fechando, o azedume carregado e lento da instrumental “Dolls on a Wall”, algo mais rebuscado em termos de Doom Metal, uma releitura dos elementos Sabbathícos de início.

Óbvio que muitos não se adaptaram ao vocal de Mats, algo compreensível. Mas não se pode negar: “House of Doom” vem em boa hora, mostrando que a aposentadoria do CANDLEMASS se encontra distante. E em tempos que as bandas antigas estão mostrando as garras, podemos esperar que o disco novo do quinteto venha matador!

Nota: 81%