quinta-feira, 3 de maio de 2018

DIMMU BORGIR - Eonian



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. The Unveiling
2. Interdimensional Summit
3. ÆTheric
4. Council of Wolves and Snakes
5. The Empyrean Phoenix
6. Lightbringer
7. I Am Sovereign
8. Archaic Correspondence
9. Alpha Aeon Omega
10. Rite of Passage


Banda:


Shagrath - Vocais
Silenoz - Guitarra base
Galder - Guitarra solo


Ficha Técnica:

Dimmu Borgir - Produção
Jens Bogren - Engenharia,
Daray - Bateria
Gerlioz - Teclados
Gaute Storås - Arranjos de ópera e orquestrações
Schola Cantrum Choir - Corais
Francesco Ferrini - Orquestrações
Zbigniew Bielak - Artwork


Contatos:

Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Uma das coisas mais chatas de se ver quando falamos de lançamentos de discos de bandas consagradas são as comparações. Os fãs parecem esquecer que uma banda é composta de pessoas, e uma dinâmica de transformação sempre as guia em busca de novas conquistas e expressões musicais. Raras são as bandas que tendem ao continuísmo puro e simples. Mas existem aqueles que parecem nos desafiar com seus discos novos, de uma forma em que reações estilo “amo ou odeio” começam a surgir. E desde que despontaram para o sucesso, o DIMMU BORGIR sempre causa frisson em seus fãs (e longas reclamações e “mimimis” nas mídias sociais). Com “Eonian” (lançado por aqui pela parceria da Shinigami Records com a Nuclear Blast Brasil) não seria diferente.

Para início de conversa, é preciso ter em mente que o grupo possui fases distintas: aquela mais atmosférica e focada em ambientações sombrias (que pode ser ouvida em “For All Tid” de 1995, e “Stormblåst” de 1996), o início do uso de maior agressividade aliada a teclados mais diversificados (em “Enthrone Darkness Triumphant” de 1997 e “Spiritual Black Dimensions” de 1999), a fase de grandiosidade técnica, agressividade ainda maior e orquestrações mais evidentes (que se ouve em “Puritanical Euphoric Misanthropia” de 2001, “Death Cult Armageddon” de 2003, e “In Sorte Diaboli” de 2007), e o início de um trabalho mais esmerado no uso de orquestra e corais operísticos (em “Abrahadabra”, de 2010). Com uma diversidade musical tão grande, é preciso ter em mente que o trio pode lançar mão de muitas possibilidades. Em “Eonian”, oito anos desde seu último álbum de músicas inéditas, o DIMMU BORGIR rebusca a simplicidade técnica da era de “Enthrone Darkness Triumphant” e “Spiritual Black Dimensions”, mas com o mesmo “approach” sinfônico de “Abrahadabra”, só que mais espontâneo e menos mecânico que este (o que nos leva a questionar se as confusões na banda naqueles tempos não influíram nisso).

Ou seja: o trio está de volta em grande estilo, doa a quem doer.

Desta vez, a banda buscou a ajuda de Jens Bogren para a engenharia de som, visando uma sonoridade mais orgânica, e acertaram: o que se ouve em “Eonian” é algo realmente limpo e bem cuidado, mas pesado, denso e com aquela ambientação mezzo sinfônica, mezzo soturna, e com uma escolha de timbres ótima. Tudo está em seu devido lugar, soando pesado e agressivo, mas com as melodias da banda bem evidentes.

E diferentemente do que fazem há um tempo, o trio preferiu uma arte gráfica mais simples, com apenas duas cores, e que foi feita por Zbigniew Bielak. O desenho é ótimo, verdade seja dita, mas esta aproximação um pouco mais simples, provavelmente, deve ser para que os fãs fiquem com as atenções todas voltadas apenas ao mais importante: a música.

E em termos musicais, muito já se viu de “mimimi” desde que a banda lançou as primeiras músicas de divulgação de “Eonian”. No fundo, creio que muitas palavras e poucas audições causaram uma ilusão em massa, pois o disco inteiro é muito bom. O DIMMU BORGIR soube se renovar, e ao mesmo tempo, expandir fronteiras em termo de criatividade e arranjos. E mais uma vez, o grupo levou sua criatividade e capacidade de criar arranjos musicais a extremo, mesmo nessa singela simplicidade em termos de linhas melódicas.

Todas as músicas são excelentes, e vale destacar algumas como referência nas primeiras audições.

A força melódica soturna e simples de “Interdimensional Summit” com seus corais e vocais bem encaixados (esta é o primeiro Single do disco, e mostra um belo contraste entre o suave e o extremo), o sabor suave e denso que possui “ÆTheric” (com arranjos mais simples, mas mostrando um excelente trabalho de guitarras), as passagens sinistras das harmonias bem estruturadas de “Council of Wolves and Snakes”, o toque atmosférico que se percebe em “Lightbringer” (boas variações rítmicas, e um trabalho muito bom na bateria), o mix inteligente de partes orquestrais e corais sinistros de “I Am Sovereign”, o feeling opressivo dos tempos de “Archaic Correspondence” (onde um pouco da velha agressividade do grupo surge de forma mais evidente), e a ótima “Alpha Aeon Omega” (que possui estruturação harmônica que lembra demais os tempos de “Enthrone Darkness Triumphant”, mas usando do alinhavo orquestral e sinfônico de hoje em dia).

Se me perguntarem se os 8 anos valeram a pena, direi que “Eonian” está bem acima das expectativas, e vem para firmar de vez o DIMMU BORGIR como um dos grandes nomes do Metal mundial (já que eles transcenderam as barreiras do Black Metal há anos). Mas se vocês querem ficar reclamando da banda e comparando-os a outros grupos, sinceramente, creio que você deveria ir ouvir MPB ou similares...

P.S.: o disco sai agora, dia 4 de Maio, logo, deve estar nas lojas em breve.

Nota: 100%