sexta-feira, 1 de junho de 2018

NERVOSA - Downfall of Mankind


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Napalm Records (distribuição nacional pela Shinigami Records)
Importado com distribuição no Brasil


Tracklist:

1. Intro
2. Horrordome
3. Never Forget, Never Repeat
4. Enslave     
5. Bleeding
6. ... And Justice for Whom?
7. Vultures    
8. Kill the Silence
9. No Mercy
10. Raise Your Fist!
11. Fear, Violence and Massacre
12. Conflict
13. Cultura do Estupro
14. Selfish Battle


Banda:


Fernanda Lima - Baixo, vocais
Prika Amaral - Guitarras
Luana Dametto - Bateria    


Ficha Técnica:

Martin Furia - Produção
Hugo Silva - Arte da capa, design, artwork
V.O. Pulver - Mixagem
Alan Douches - Masterização
Michael Gilbert - Guitarras (convidado especial)
Rodrigo Oliveira - Bateria (convidado especial)
João Gordo - Vocais (convidado especial)


Contatos:

Assessoria: https://www.facebook.com/lpmetalpress/ (LP Metal Press)

Texto: Marcos Garcia


“Victim of Yourself” trouxe um Thrash Metal Old School bruto, cru e direto; “Agony” já mostrou maior abrangência musical, com muito da energia do Death Metal surgindo entre as linhas melódicas do Thrash Metal mais moderno. Logo, a pergunta que surge é: como o NERVOSA, trio de Thrash Metal de São Paulo (SP) se apresenta em “Downfall of Mankind”, recém-lançado terceiro disco da banda?

Basicamente, o grupo mistura um pouco dos dois discos anteriores, sem contar que mostra que vai adiante. As músicas de “Downfall of Mankind” soam mais duras e diretas (algo que remeterá ao primeiro álbum), enquanto a pegada furiosa e cheia de brutalidade em algumas partes, juntamente com diversidade dos andamentos entre as músicas, são evoluções do que se ouve em “Agony”. Mas se percebe que a fúria sonora está em outro patamar, chega a doer os ouvidos menos experientes, especialmente em partes bem extremas.

Logo, o NERVOSA está mostrando suas garras, sua fúria incontida, e verdade seja dita: está altamente empolgante!

Produzido pelo argentino Martin Furia (que cuidou da engenharia da banda em sua última turnê europeia), que realmente deu uma sonoridade impactante e agressiva a “Downfall of Mankind”, e a escolha dos timbres instrumentais deixa claro que o lance era soar como um coice de mula nos dentes. Mas mesmo assim, se percebe que a estética bem acabada da produção deixou a sonoridade clara de uma maneira que se consegue compreender o que elas estão tocando. E mais um ponto: o disco soa vivo, moderno e pesado, fugindo da estética “old school” que tantos adoram emular.

E a arte de Hugo Silva dá uma ambientação sinistra ao disco, reforçando a atmosfera opressiva.

A verdade seja dita: a experiência em grandes festivais e longas turnês levou a banda a outro patamar musical. É um disco profissional, mas feito com muita espontaneidade, capaz de deixar os ouvidos apitando devido à agressividade desmedida. Mas se repararem, a banda mostra arranjos musicais mais simples, e os andamentos mudam bastante de uma faixa para outra (e mesmo dentro delas). E por ser o disco de estreia da baterista Luana, ela parece ter chumbo nas mãos e nos pés, e trouxe muitos tempos do Death Metal consigo. Além disso, temos a participação de alguns convidados, como o vocalista João Gordo (do RDP, como se fosse necessário maiores apresentações), o guitarrista Michael Gilbert (do FLOTSAM & JETSAM), e o baterista Rodrigo Oliveira (do KORZUS). Agora, caiam dentro, e preparem o queixo!

A verdade é que “Downfall of Makind” transpira uma fúria musical absurda, e é do jeito “ame ou odeie”, não tem meios termos. É para esmagar ossos e destruir pescoços!

“Horrordome” é uma faixa incendiária, cheia de energia, e bem veloz, mostrando um ritmo insano (e com ótimo trabalho da bateria), seguida da escarrada brutal de “Never Forget, Never Repeat”, que possui passagens de tempos bem interessantes, fora riffs excelentes. Com uma pegada Thrasher mais clássica com uma moldagem moderna, “Enslave” é rascante até os ossos (que urros extremos, e ótima dicção). A cadência opressiva do início de “Bleeding” é esmagadora, mas se alterna com partes rápidas que remetem a “Victim of Yourself”. E o moshpit come solto na empolgante “... And Justice for Whom?”, outra em que a banda rebusca seus elementos mais clássicos (embora existam partes de 1X1 insanas). O clima Death/Thrash fica ainda mais denso em “Vultures”, um dos momentos mais agressivos do disco, mesmo em seus momentos Thrash Metal. Outra que nos leva a pensar no primeiro disco em termos de energia e riffs é “Kill the Silence”, uma faixa ferina e cheia de energia de fazer o queixo cair, fora boas mudanças de tempo, assim como “No Mercy” (que tem alguns momentos mais elaborados de baixo e bateria). Uma introdução que entremeia discursos de líderes políticos revolucionários abre a explosão de agressividade de “Raise Your Fist!”, que mais uma vez mostra a junção dos elementos de “Victim of Yourself” e “Agony”, especialmente nas guitarras (a modernidade é tamanha que existem algumas partes delas que nos remetem um pouco a “Chaos A. D.”). Mais simples, direta e na cara é “Fear, Violence and Massacre”, onde a base baixo e bateria mostra sua eficiência e coesão. Com uma diversidade técnica um pouco maior, temos “Conflict”, onde mais uma vez os vocais estão ótimos (o uso de mudanças de timbre se tornou recorrente na música da banda, o que é bom). A tradicional música cantada em português da banda é a golfada de ódio de “Cultura do Estupro”, com uma pegada bem tradicional do grupo, mostrando mais uma vez como baixo e bateria estão bem entrosados (e onde vemos o dueto de Fernanda com João Gordo). E a faixa-bônus “Selfish Battle” vem encerrar o disco, sendo que existe uma ambientação diferente em algumas partes, com ótimas melodias e vocais limpos ótimos (Fernanda, bem que poderias usar mais esse recurso, hein?), mas quem rouba a cena é mesmo Prika com solos melodiosos ótimos e bases bem feitas.

O NERVOSA deu um passo adiante com “Downfall of Mankind”, e logo serão o grande nome do Metal nacional no exterior, quer queiram, quer não. E apesar de não existir previsão para lançamento nacional, ele será distribuído por aqui pela Shinigami Records.

Nota: 100%