terça-feira, 3 de julho de 2018

ORPHANED LAND - Sahara (remasterizado)



Ano: 1994 (original) / 2018 (lançamento brasileiro)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

Sahara:

1. The Sahara’s Storm
2. Blessed Be Thy Hate
3. Ornaments of Gold
4. Aldiar Al Mukadisa

The Beloved Cry:

5. Seasons Unite
6. The Beloved’s Cry
7. My Requiem
8. Orphaned Land, the Storm Still Rages Inside...


Banda:


Kobi Farhi - Vocais
Yossi Sassi - Guitarra solo, oud
Matti Svatizky - Guitarra base
Itzik Levi - Teclados, piano, samples
Uri Zelcha - Baixo
Sami Bachar - Bateria


Ficha Técnica:

“Neve Israel” Synagogue - Backing vocals
Abraham Salman - Kanun
Hadas Sasi - Vocais femininos
Amira Salah - Vocais femininos
Albert Dadon - Darbuka
Asaf Bar-Lev - Mixagem
Tamir Muskat - Engenharia, mixagem
Gary Gani - Mixagem, engenharia (assistente)
Yotam Agam - Engenharia (segundo assistente)
Eran Zira - Engenharia (segundo assistente)
Kobi Farhi - Artwork
Uri Zelcha - Artwork
Patrick W. Engel – Remasterização (2016)


Contatos:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Cada dia que passa, vemos as famosas versões “remaster” de discos antigos, ou seja, aqueles que passam por uma nova masterização, visando adequar a qualidade aos tempos atuais, e ao mesmo tempo, dar mais peso e brilho ao som. Nisso, somos sortudos, pois a Shinigami Records nos presta mais uma vez um serviço maravilhoso: disponibilizou as versões nacionais remasterizadas de 2016 de “Sahara” e “El Norra Alila”, que vieram ao mundo para comemorar os 25 anos do grupo israelita ORPHANED LAND.

Nesta resenha, falaremos do primeiro disco do grupo, “Sahara”, de 1994.

Digamos que aqueles tempos eram bem conturbados. Ainda haviam brasas intensas devido à Guerra do Golfo de 1991, bem como se buscavam saídas pacíficas. Yitzhak Rabin e Yasser Arafat (líder da Organização para a Libertação da Palestina) buscavam soluções diplomáticas, mas como sabemos, em novembro de 1995, Rabin foi assassinado. Em um contexto tão caótico, o Metal se torna uma possibilidade para lidar com as frustrações. Nisso, juntando o amor pelo Heavy Metal às influências de música oriental e World Music que o líder do grupo, o vocalista Kobi Farhi, adquiriu com a família (ele é natural de Jaffa, uma cidade de população heterogênea, com muitos cristãos, israelitas e muçulmanos), e pronto: nasceu o mix de Metal com música do Oriente Médio, que chamamos Oriental Metal.

Em “Sahara”, mesmo com um estilo novo, o sexteto já mostra uma veia muito experimental, algo incomum naqueles anos. Mas apesar disso, a maior contribuição ao lado “Metal” do ORPHANED LAND ainda tem profundas raízes no Death Metal e no Doom Metal (reparem bem nos timbres dos vocais limpos e nos das guitarras). Por isso, a música da banda ainda está bem crua e cheia de agressividade, mas ainda assim, mostram uma técnica instrumental rebuscada, além de criatividade. Óbvio que o tempo iria lapidar bastante o trabalho deles, mas já se mostravam uma banda e tanto na época.

Esta versão de “Sahara” é remasterizada das fitas DAT originais da época, sendo que o disco foi gravado no Sigma Studio, em Tel Aviv, Israel, no mês de junho d 1994. E imaginem gravar, produzir e mixar o disco eles mesmos, sendo que eram todos adolescentes, e sem quem os ajudasse. É, não foi simples, ainda mais que gravar Metal em Israel era algo totalmente novo. Por isso, o que eles conseguiram não deixa de ser surpreendente, pois fazer com que o balanço entre a crueza, a agressividade de sua música não sobrepusesse suas influências orientais ou destruísse a clareza (o que nos permite compreender a complexidade de sua música) nesse estágio e com essas condições é um trabalho muito difícil. E com um resultado ótimo, digamos de passagem.

Além disso, o CD nos mostra a arte original na capa (embora diferente daquela vista na primeira versão), uma foto tirada da Mesquita Azul, em Istambul (Turquia). O encarte é todo novo, com uma editoração mais bonita, e ainda possui uma introdução sobre o Oriental Metal, escrita pelo próprio Kobi.

Apesar de tantos percalços para lidar, o grupo fez de “Sahara” um disco marcante, que mostra estruturações melódicas e complexidades em termos de arranjo que irão pavimentar sua carreira, anos depois. A raiz que daria frutos em clássicos como “Mabool” e “All is One” está clara, apesar da crueza vinda das influências extremas. Tanto o é que o grupo mostra a participação de vozes femininas,

As oito canções do álbum foram divididas em duas partes.

A primeira é “Sahara”, que mostra faixas novas, todas mixando as influências da banda. E é interessante ver a alternância entre partes melodiosas, outras mais agressivas e toques de estilos musicais do Oriente Médio que permeiam a diversificada “The Sahara’s Storm”, a mais agressiva e pesada “Blessed Be Thy Hate” (esta mostra aquele jeitão Doom/Death das bandas da Europa, mas reparem bem como os toques regionais surgem em vários momentos), a complexa e cheia de passagens mais introspectivas “Ornaments of Gold”, e a totalmente oriental “Aldiar Al Mukadisa” (aqui, parece uma canção tradicional, com trechos das palavras de louvor Halel e do livro do Tehilim, que nada mais é que o livro de Salmos).

A segunda parte, “The Beloved Cry”, é composta de canções um pouco mais duras e agressivas, pois pertencem ao EP de mesmo nome, lançado em 1993. Isso pela comparação das anteriores com elas, mas mesmo assim, a consensualidade é evidente. E “Seasons Unite”, “The Beloved’s Cry”, “My Requiem”, e “Orphaned Land, the Storm Still Rages Inside...” são as sementes que germinaram e nos deram um dos melhores grupos da atualidade.

As letras merecem uma citação especial. A mensagem pacifista e em prol da união dos povos já está nas músicas do grupo, embora ainda em um estágio inicial.

Desta forma, “Sahara” não é apenas um disco que serve como documentação ou para completar coleção, pois não soa datado. E ele nunca havia sido lançado oficialmente no Brasil, logo, aproveitem a chance!

Nota: 91%